sexta-feira, 11 de julho de 2014

Capítulo 10 [5/5]

“Pra uma máquina mortífera”, comentou Cary, “até que isto daqui é bem
chique.”
Sacudi a cabeça ao entrar na cabine de passageiros do jatinho particular de
Joseph. “Você não vai morrer. É mais seguro viajar de avião do que de carro.”
“E quem você acha que paga por essas estatísticas? As companhias aéreas,
é claro.”
Depois de dar um beijo sorridente no ombro de Cary, percorri com os olhos
o interior absurdamente opulento daquela aeronave, que me deixou mais do
que impressionada. Eu já tinha viajado em jatinhos particulares antes, mas,
como sempre, Joseph estava em um patamar que era para pouquíssimos.
A cabine era espaçosa e tinha um corredor central bem largo. A paleta de
cores era neutra, com toques de marrom e azul. Do lado esquerdo, havia poltronas
giratórias com mesas, enquanto do lado direito ficava um sofá. Cada assento
contava com seu próprio console de entretenimento. Com base no que já tinha
visto, deveria haver um quarto na parte traseira do avião, e um ou dois banheiros
luxuosos.
Um comissário pegou minha mala e a de Cary, e então sinalizou para que
sentássemos em uma das poltronas com mesa. “O senhor Josephs deve chegar em
alguns minutos”, ele informou. “Enquanto isso, aceitam uma bebida?”
“Uma água, por favor.” Olhei para o relógio. Eram mais de sete e meia.
“Um bloody mary”, pediu Cary. “Se tiver.”
O comissário sorriu. “Temos de tudo.”
Cary me pegou olhando para ele. “Que foi? Eu ainda não jantei. O suco de
tomate vai enganar meu estômago até a hora de comer, e o álcool vai ajudar o
dramin a bater mais rápido.”
“Não abri minha boca.”
Ao olhar pela janela para contemplar o céu noturno, meus pensamentos,
como sempre, se voltaram para Joseph. Ele havia ficado a maior parte do dia
calado. O trajeto até o trabalho fora feito em silêncio, e às cinco horas ele havia
me ligado apenas para dizer que Angus me levaria para casa e depois até o aeroporto,
onde ele nos encontraria.
Preferi ir andando para casa, já que havia faltado na academia na noite anterior
e não teria tempo para me exercitar antes da viagem. Angus fez questão de
dizer que Joseph não gostaria da ideia, apesar de minha recusa educada e de
minhas razões para tanto. Talvez Angus achasse que eu ainda estava chateada
pelo fato de ele ter dado carona para Corinne, o que não deixava de ser verdade.
Para minha própria decepção, uma parte de mim torcia para que ele estivesse se
sentindo mal por isso. Felizmente, a outra parte estava morrendo de raiva de
mim mesma por ser tão mesquinha.
Enquanto caminhava pelo Central Park, por um caminho sinuoso entre
árvores imensas, decidi que não abriria mão do meu bem-estar por homem nenhum.
Nem mesmo Joseph. Eu não deixaria minha frustração com ele atrapalhar
a diversão de um fim de semana em Las Vegas com meu melhor amigo.
Na metade do caminho de casa, parei e me virei para olhar a cobertura de
Joseph na Quinta Avenida. Eu me perguntei se ele estava lá, arrumando a mala
e se preparando para um fim de semana sem mim. Ou se ainda estava no trabalho,
resolvendo as últimas pendências de uma semana movimentada;
“Ih”, comentou Cary quando o comissário voltava com nossas bebidas em
uma bandeja. “Você está com uma cara...”
“Que cara?”
“De quem está incomodada.” Cary bateu de leve seu copo no meu. “Quer
conversar a respeito?”
Quando eu ia responder, Joseph apareceu. Ele estava com uma expressão
séria e carregava uma pasta em uma das mãos e uma mala de viagem na outra.
Entregou a mala para o comissário, parou entre mim e Cary, fez um aceno de
cabeça para ele e passou a mão de leve no meu rosto. Aquele toque se espalhou
pelo meu corpo como uma onda de eletricidade. Depois disso Joseph foi para o
compartimento na parte traseira da aeronave e fechou a porta.
“Ele é tão temperamental”, reclamei.
“E muito gato. Esse terno...”
O terno não teria o mesmo efeito em outro homem. Joseph era capaz de
transformar um simples traje em uma arma mortal.
“Pare de desviar o foco pra beleza dele”, censurei.
“Vai lá chupar o pau dele. Isso levanta o astral de qualquer um.”
“Homens...”
“O que você esperava?” Cary pegou a garrafa gelada com o restante da
água que não havia cabido no copo de cristal. “Dá uma olhada nisso.” Ele me
mostrou o rótulo, que ostentava a logomarca do Hotel e Cassino Jonas. “É muito
chique!”
Dei um sorrisinho malicioso. “É para os tubarões.”
“Quê?”
“Os grandes apostadores. Jogadores que não pensam duas vezes em
apostar cem mil ou mais por rodada. Os cassinos têm uma porção de mimos pra
atrair esses caras. Jantares, suítes, jatinhos, e por aí vai. O segundo marido da
minha mãe era um tubarão. Essa foi uma das razões por que eles se separaram.”
Ele ficou me olhando e sacudindo a cabeça. “Você sabe cada coisa. Então
isto aqui é um jato corporativo?”
“É um deles. No total são cinco”, respondeu o comissário, trazendo uma
bandeja com queijos e frutas.
“Minha nossa”, murmurou Cary. “Ele tem uma esquadrilha inteira.”
Cary puxou uma cartela de dramin do bolso e engoliu os comprimidos
junto com o bloody mary.
“Quer um?”, ele perguntou, pondo a embalagem sobre a mesa.
“Não. Obrigada.”
“Você vai lá falar com o senhor Gostosão Nervosinho?”
“Acho que não. Prefiro ler alguma coisa.”
Trinta minutos depois, Cary estava roncando baixinho em sua poltrona
totalmente reclinável, usando abafadores de ruídos nas orelhas. Fiquei olhando
para ele por um tempo, contemplando a visão de seu relaxamento tranquilo, os
contornos de sua boca suavizados pela imobilidade do sono.
Então levantei e fui até o compartimento onde Joseph havia se fechado
pouco antes. Pensei em bater, mas mudei de ideia. Ele estava impondo barreiras
entre nós em todos os sentidos; aquela não seria mais uma.
Joseph voltou os olhos para mim quando entrei, não parecendo surpreso
com minha aparição. Estava sentado a uma escrivaninha, ouvindo uma mulher
com quem conversava por um vídeo via satélite. Seu paletó estava pendurado na
cadeira e sua gravata estava frouxa. Depois de uma rápida troca de olhares, ele
tornou a dedicar sua atenção à conversa.
Comecei a tirar a roupa.
Minha camiseta foi a primeira a ir embora, seguida pelas sandálias e o
jeans. A mulher continuava a falar, mencionando “preocupações” e “discrepâncias”,
mas os olhos de Joseph estavam voltados para mim — ávidos e desejosos.
“A gente fala sobre isso amanhã, Allison”, ele interrompeu, apertando um
botão no teclado que desligou a tela pouco antes de meu sutiã atingir sua cabeça.
“Sou eu que estou de TPM e é você que tem as oscilações de humor?”
Ele tirou meu sutiã do rosto e se recostou, apoiando os cotovelos nos
braços da cadeira e juntando os dedos de forma teatral. “E você está fazendo um
striptease pra melhorar meu humor?”
“Vocês homens são tão previsíveis. Cary sugeriu que eu chupasse seu pau
pra te deixar mais alegrinho. Mas não se empolgue, viu? Não vai acontecer.”
Agarrei o elástico da minha calcinha com os polegares e apoiei o peso do corpo
sobre os calcanhares. Tive que admitir que ele merecia certo crédito por estar olhando
para os meus olhos, não para os meus peitos. “Acho que você está me devendo
uma. De verdade. Tenho sido uma namorada muito compreensiva dadas
as circunstâncias, não?”
Ele ergueu uma sobrancelha.
“Queria saber o que você faria”, continuei, “se aparecesse no meu prédio e
visse um ex-namorado meu saindo de lá pondo a camisa pra dentro da calça. E
aí, quando você subisse, me encontrasse no banho, e o sofá da sala todo
bagunçado.”
Joseph cerrou os dentes. “Você não quer saber o que eu faria.”
“Então você precisa admitir que me comportei muito bem diante das circunstâncias.”
Cruzei os braços, consciente de que aquilo só ajudaria a realçar
meus atributos. “Você deixou bem claro que gostaria de me punir. Agora quero
saber o que vai fazer para me recompensar.”
“Sou eu quem vai escolher?”, ele provocou, com os olhos semicerrados.
Sorri. “Não.”
Ele pôs meu sutiã em cima do teclado e se levantou da cadeira de maneira
brincalhona e provocante. “Então essa é sua recompensa, meu anjo. O que você
quer?”
“Quero que você pare de dar uma de ranzinza, pra começo de conversa.”
“Ranzinza?” Ele contorceu a boca para esconder um sorriso. “Bom, acordei
e você não estava lá, e nos próximos dois dias vai ser assim também.”
Descruzei os braços e fui até ele, posicionando minhas mãos espalmadas
em seu peito largo. “É só isso mesmo?”
“Demetria.” Ele era um homem de uma força física admirável, mas ainda assim
era capaz de um toque reverente e delicado.
Abaixei a cabeça, sabendo que alguma coisa na minha voz havia deixado
tudo bem claro. Ele era bastante perceptivo.
Agarrando meu queixo com as duas mãos, Joseph puxou minha cabeça
para cima e olhou bem nos meus olhos. “Fale comigo.”
“Acho que você está se afastando de mim.”
Um rugido grave ressoou entre nós. “Ando com a cabeça bem cheia. Mas
isso não significa que não pense em você.”
“Estou sentindo alguma coisa, Joseph. Uma distância entre nós que não
existia.”
Suas mãos desceram para o meu pescoço. “Não existe distância nenhuma.
Sou totalmente seu, Demetria.” Ele apertou um pouco as mãos. “Você não consegue
sentir isso?”
Respirei bem fundo. Meu coração estava disparado, uma reação física a um
medo cuja fonte estava dentro de mim, não em Joseph, que com certeza jamais
me machucaria ou me colocaria em uma situação de perigo.
“Às vezes”, ele disse ofegante, observando-me com uma intensidade dolorosa,
“não consigo nem respirar.”
Eu teria fugido dali não fossem seus olhos, que revelavam um desejo e um
desespero impossíveis de conter. Ele estava me fazendo experimentar aquela
perda de controle, aquela sensação de me sentir dependente de outra pessoa.
O que fiz foi exatamente o contrário. Joguei a cabeça para trás e me entreguei,
sentindo arrepios de medo. Eu estava começando a entender meu
desejo de ceder todo o controle a Joseph, conforme ele mesmo já havia falado.
Ao fazer isso, alguma coisa dentro de mim se apaziguava, uma necessidade que
eu nem sabia que tinha.
Houve uma longa pausa, preenchida apenas por sua respiração. Senti que
ele estava tentando conter seus sentimentos, e me perguntei que sentimentos
eram aqueles, por que ele parecia estar tão dividido.
Joseph liberou a tensão expirando profundamente. “Do que você precisa,
Demetria?”
“De você... nas alturas.”
Ele deslizou as mãos até meus ombros e os apertou, depois acariciou meus
braços. Seus dedos se juntaram aos meus e ele colou sua testa à minha. “De onde
vem essa sua vontade de transar em veículos em movimento?”
“Quero você do jeito que for”, respondi, repetindo algo que certa vez ele
mesmo disse para mim. “E só vou poder fazer isso de novo no fim de semana
que vem, por causa do meu período menstrual.”
“Porra.”
“É agora ou nunca.”
Ele apanhou o paletó, enrolou-me nele e me levou para uma cabine
fechada.
Nossa.” Minhas mãos agarravam com força o lençol e minhas costas se
arqueavam enquanto Joseph mantinha meus quadris colados à cama e passava
a língua pelo meu clitóris. Minha pele estava coberta por uma fina camada de
suor e minha visão embaçou quando meu ventre se contraiu violentamente à espera do orgasmo. Minha pulsação estava acelerada, em compasso com o ruído
constante das turbinas do jato.
Eu já tinha gozado duas vezes, com a visão da sua cabeleira negra no meio
das minhas pernas aliada à sua língua perversamente habilidosa. Minha calcinha
tinha sido literalmente destruída, enquanto ele permanecia totalmente
vestido.
“Estou pronta.” Passei os dedos pelos cabelos dele, sentindo-os úmidos nas
raízes. Joseph estava lutando para se conter. Ele era sempre muito atencioso
comigo, esperava que eu estivesse bem quentinha e molhada antes de enfiar seu
pau enorme em mim.
“Sou eu quem vai dizer quando você está pronta.”
“Quero você dentro de mim...” O avião começou a balançar de repente, e
depois a descer, fazendo-me flutuar, tendo como único ponto de contato a boca
dele. “Joseph!
Estremeci toda com mais um orgasmo. Meu corpo se contorcia de vontade
de senti-lo dentro de mim. Apesar da pulsação acelerada rugindo no meu
ouvido, consegui escutar uma voz fazendo um anúncio pelo sistema de altofalantes,
mas não consegui registrar as palavras.
“Você está bem sensível agora.” Ele levantou a cabeça e passou a língua
pelos lábios. “Está gozando feito uma louca.”
Suspirei. “Gozaria ainda mais com você dentro de mim.”
“Vou me lembrar disso.”
“Tudo bem se eu ficar meio dolorida hoje”, argumentei. “Vou ter vários dias
pra me recuperar.”
Uma faísca se acendeu no fundo dos olhos de Joseph. Ele se levantou.
“Não, Demetria.”
Meu barato pós-orgasmo se desfez diante da seriedade de seu tom de voz.
Apoiei-me sobre os cotovelos e vi que ele se despia com movimentos rápidos e
econômicos.
“A escolha é minha”, relembrei.
Joseph já tinha tirado o colete, a gravata e as abotoaduras. Seu tom de voz
foi quase imparcial quando ele perguntou: “Você quer mesmo fazer esse
joguinho?”.
“Se for preciso.”
“Vai ser preciso muito mais que isso pra eu querer machucar você.” A calça
e a camisa ele tirou mais devagar, num striptease muito mais sedutor que o meu.
“Para nós, a dor e o prazer são coisas inconciliáveis.”
“Eu não quis dizer que...”
“Eu sei o que você quis dizer.” Ele abaixou a cueca, ajoelhou-se na cama e
se arrastou até mim como um grande felino espreitando sua caça. “Você quer o
meu pau na sua boceta. E diria o que fosse preciso pra conseguir isso.”
“Sim.”
Ele se posicionou em cima de mim. Seus cabelos caíram como uma cortina
sobre seu rosto, e seu corpo se impôs como uma sombra sobre o meu. Baixando
a cabeça, ele levou sua boca até a minha e me lambeu de leve com a ponta da língua.
“Você está aflita. Está se sentindo vazia sem ele.”
“É isso mesmo.” Agarrei seus quadris, inclinando-me para cima a fim de
sentir seu corpo junto ao meu. O momento do sexo é quando nos sentimos mais
próximos, e eu precisava daquela proximidade, precisava garantir que estava
tudo bem entre nós antes de passar o fim de semana sem ele.
Ele se encaixou no meio das minhas pernas. Sua ereção quente e rígida
provocava meus lábios. “Sei que dói um pouco quando enfio tudo de uma vez,
mas não tem muito jeito... sua boceta é apertadinha, e morro de tesão por você.
Às vezes perco o controle e meto com força, mas não dá pra evitar. Só não me
peça pra machucar você deliberadamente. Isso eu não consigo.”
“Quero você”, sussurrei, esfregando-me sem nenhuma vergonha no pau
dele.
“Ainda não.” Ele remexeu os quadris para me deixar alinhada à cabeça do
seu pênis, e depois foi entrando devagarinho, alargando-me e preparando-me,
só com a pontinha. Eu estremeci — meu corpo ainda resistia. “Você não está
pronta.”
“Me fode. Por favor... me fode!”
Ele deslizou uma das mãos pelo meu corpo e segurou meus quadris, detendo
minhas tentativas desesperadas de colocá-lo para dentro. “Você não está
pronta.”
Tentei me libertar do seu aperto. Minhas unhas se cravaram nos músculos
rígidos do traseiro dele e o puxei para mim. Não me importava que fosse doer.
Se não o sentisse dentro do meu corpo eu ia enlouquecer. “Me come.”
Joseph passou a mão pelos meus cabelos e os agarrou para me manter
imóvel. “Olhe pra mim.”
“Joseph!”
Olhe pra mim.
Fiquei paralisada ao seu comando. Eu o encarei, mas minha frustração foi
se desfazendo à medida que uma lenta e gradual transformação ocorria em seu
rosto.
Suas feições se contorceram, como se ele estivesse sentindo dor. Ele franziu
a testa. Seus lábios se separaram com um gemido e seu corpo começou a
subir e descer. Os músculos de seu queixo começaram a vibrar em um espasmo
violento. Sua pele esquentou e seu calor se espalhou por mim. Mas o que me
deixou mais impressionada foram seus olhos azuis penetrantes e a inconfundível
vulnerabilidade que exalavam.
Meu coração disparou quando notei essa mudança em seu rosto. O colchão
balançou quando ele apoiou o peso do corpo nos pés e...
Demetria.” Ele deu uma estocada e começou a gozar, soltando um jorro quente
dentro de mim. Seu rugido de prazer reverberava pelo meu corpo, seu pau
deslizava em meio à corrente de sêmen que fez brotar dentro de mim. “Ah...
Nossa.”
Durante todo esse tempo ele não tirou os olhos de mim, mostrando abertamente
seu rosto, quando o habitual era enterrá-lo no meu pescoço. Vi aquilo que
gostaria de ver... o fato que ele queria provar...
Não havia distância nenhuma entre nós.
Remexendo os quadris, Joseph despejou o restante do seu orgasmo,
esvaziando-se dentro de mim, deixando-me lubrificada a ponto de não haver
nenhuma dor ou resistência. Ele soltou meus quadris e permitiu que eu me
movesse ao seu encontro, estimulando meu clitóris para poder gozar também.
Com os olhos grudados nos meus, procurou meus punhos com as mãos. Com
um único movimento, jogou meus braços para cima da minha cabeça,
prendendo-me.
Colada ao colchão pela força de suas mãos, seu peso e sua ereção implacável,
eu estava completamente à mercê dele. Joseph retomou as estocadas,
deslizando pelas paredes trêmulas da minha boceta com seu pau enorme.
Dominando-me. Possuindo-me.
“Crossfire”, ele sussurrou, relembrando a palavra de segurança caso fosse
necessário.
Gemi quando minha boceta irrompeu em clímax, apertando, espremendo e
ordenhando avidamente o pau dele.
“Está sentindo?” A língua de Joseph circundava minha orelha, e sua respiração
esquentava o que já estava úmido. “Estou literalmente na sua. Cadê a
distância agora, meu anjo?”

Durante as três horas seguintes, não houve distância nenhuma.

Capítulo 9- MARATONA [4/5]

Passava um pouco das seis da manhã quando saí do meu quarto. Estava
acordada fazia algum tempo, vendo Joseph dormir. Era um prazer um tanto
raro, porque eu quase nunca acordava antes dele. Naquele momento, podia
observá-lo à vontade sem gerar nenhum constrangimento.
Caminhei pelo corredor até chegar à sala grande e luxuosa do apartamento.
O fato de eu e Cary morarmos em um imóvel amplo o bastante para abrigar
uma família inteira no Upper West Side era um tanto ridículo, mas era impossível
tentar argumentar com minha mãe e meu padrasto quando o assunto
era segurança. Eles não aceitariam de jeito nenhum que eu morasse em outro
bairro, ou em um prédio sem porteiro e segurança vinte e quatro horas por dia.
Se por um lado eu precisava ceder, também podia aproveitar e conseguir maior
liberdade em outros quesitos.
Eu estava na cozinha esperando o café ficar pronto quando Cary apareceu.
Ele estava lindo, vestindo uma calça de moletom da San Diego State University,
com os cabelos castanhos amassados e a barba por fazer em seu queixo reto.
“Bom dia, gata”, murmurou, dando um beijo na minha testa.
“Acordou cedo, hein?”
“Olha só quem fala.” Ele pegou duas canecas no armário e o leite na geladeira,
trouxe tudo até mim e ficou me observando. “Está tudo bem?”
“Tudo bem. É sério”, insisti quando vi a expressão de ceticismo no rosto
dele. “Joseph cuidou de mim.”
“Legal, mas você sabe que é por causa dele que está estressada a ponto de
ter pesadelos, né?”
Enchi as duas canecas de café, acrescentando açúcar à minha e leite às
duas. Contei a ele sobre Corinne e o jantar no Waldorf, além da discussão com
Joseph sobre sua atitude suspeita no Crossfire.
Cary estava apoiado contra o balcão, com as pernas cruzadas na altura do
calcanhar e um dos braços sobre o peito. Deu um gole no café. “Ele não quis
explicar?”
Sacudi a cabeça, percebendo como estava incomodada com aquele silêncio
da parte de Joseph. “E você? Como estão as coisas?”
“Vai mudar de assunto mesmo?”
“Não tenho mais o que dizer. Agora só depende dele.”
“Você já parou pra pensar que Joseph pode guardar segredos pra sempre?”
Franzindo o rosto, baixei a caneca. “Como assim?”
“Ele tem vinte e oito anos e é dono de quase metade de Manhattan. O pai
dele era um notório trambiqueiro que cometeu suicídio.” Cary ergueu uma das sobrancelhas em sinal de desafio. “Pense bem. Será que uma coisa não tem
mesmo nada a ver com a outra?”
Baixei os olhos para a caneca, dei um gole e preferi não dizer que já havia
pensado a mesma coisa. A dimensão da fortuna e dos negócios de Joseph era atordoante,
principalmente levando em conta sua idade. “Não acredito que
Joseph esteja enganando as pessoas. Ele gosta de desafios, e conseguir algo honestamente
é muito mais desafiador.”
“Sabendo o quanto ele faz questão de guardar segredos, você acha que o
conhece tão bem assim a ponto de ter certeza disso?”
A lembrança do homem com quem tinha passado a noite não permitia que
eu duvidasse da minha resposta — pelo menos não naquele momento. “Acho.”
“Tudo bem, então.” Cary deu de ombros. “Falei com o doutor Travis
ontem.”
Minha atenção foi imediatamente atraída quando ele mencionou nosso
terapeuta da época de San Diego. “É mesmo?”
“É. Pisei na bola feio mesmo naquela noite.”
Pelo nervosismo que demonstrou ao tirar a franja do rosto, percebi que estava
falando da orgia que eu tinha flagrado.
“Jonas quebrou o nariz de Ian e cortou o lábio dele”, Cary contou,
lembrando-me da reação violenta de Joseph ao fato de o cara ter proposto que
eu me juntasse a eles. “Encontrei Ian ontem, e parece que ele levou uma tijolada
na cara. Ele perguntou quem foi que fez aquilo, pra poder abrir um processo.”
“Nossa.” Prendi o fôlego por alguns instantes. “Puta merda.”
“Pois é. Processar um bilionário é tirar a sorte grande. O que é que ele tem
na cabeça?” Cary fechou os olhos e os esfregou. “Eu disse que não sabia quem
era, que devia ser um cara que você conheceu por aí e levou pra casa. Jonas
apareceu do nada, então Ian não viu porra nenhuma.”
“As duas meninas deram uma boa olhada para Joseph”, constatei, mal-humorada.
“Elas saíram por aquela porta” — Cary apontou para o outro lado da sala
como se a porta tivesse acabado de ser batida — “que nem duas baratas tontas.
Não foram com a gente até o pronto-socorro, e ninguém sabe quem elas são. Se
Ian nunca mais cruzar com elas, está tudo certo.”
Senti um frio na barriga, e meu estômago embrulhou de novo.
“Vou ficar de olho nessa história”, ele me garantiu. “Aquela noite foi um
sinal de alerta pra mim, e conversar sobre isso na terapia me fez entender algumas
coisas. Depois fui ver Trey. Pra me desculpar.”
Ouvir o nome do Trey me deixou triste. Eu estava torcendo para que sua
recém-iniciada relação com aquele estudante de veterinária desse certo, mas no
fim, como sempre, Cary tinha estragado tudo. “E como é que foi?”
Ele encolheu os ombros de novo, mas de um jeito meio estranho. “Outro
dia ele ficou magoado comigo porque fui um idiota. Dessa vez ele ficou magoado
comigo porque tentei fazer a coisa certa.”
“Vocês terminaram?” Estendi minha mão para apertar a dele.
“A coisa esfriou bastante. Praticamente congelou. Ele quer que eu seja gay,
mas não vai rolar.”
Era doloroso saber que Trey queria que Cary fosse diferente, porque era
exatamente isso que as pessoas tinham exigido dele durante toda sua vida. Eu
não entendia por quê. Para mim, ele era maravilhoso. “Sinto muito, Cary.”
“Eu também, porque ele é ótimo. Só que não estou a fim de encarar as
complicações de um relacionamento sério. Estou trabalhando demais. Não estou
pronto pra ter minha vida virada de cabeça pra baixo.” Ele sorriu. “Você devia
pensar um pouco nisso também. A gente acabou de se mudar. Ainda temos um
monte de coisa pra resolver.”
Concordei com a cabeça. Entendia o que ele queria dizer, mas não estava
disposta a abrir mão de minha relação com Joseph. “Você conversou com Tatiana
também?”
“Não.” Ele acariciou meus dedos com o polegar antes de soltar minha mão.
“Com ela é tudo bem fácil.”
Dei uma risadinha sarcástica e bebi um gole do meu café quase frio.
“Não foi isso que eu quis dizer”, ele se corrigiu com um sorrisinho malicioso.
“É que ela não espera nada, nem pede nada em troca. Desde que eu compareça
e ela goze também, está tudo certo. A gente se dá bem, e não só porque
ela faz todo tipo de maluquice na cama. É legal ficar com alguém que só quer se
divertir sem dar dor de cabeça pra ninguém.”
“Joseph me conhece. Ele me entende, e está tentando me ajudar com meus
traumas. Ele está se esforçando, Cary. Pra ele também não é nada fácil.”
“Você acha que Jonas deu uma rapidinha com a ex na hora do almoço?”,
ele perguntou sem rodeios.
“Não.”
“Tem certeza?”
Respirei fundo, tomei mais um gole de café e admiti: “Quase. Não acho que
ele esteja transando com ninguém além de mim. É sempre tão quente... Mas
essa mulher tem algum tipo de poder sobre Joseph. Ele diz que é remorso, mas
isso não explica a fixação por morenas”.
“Mas explica por que você perdeu a cabeça e bateu nele... Você não suporta
a ideia de que ela esteja por perto. E ele se recusa a dizer o que está acontecendo.
Isso não me parece muito saudável.”
E não era. Eu sabia disso. E não estava nem um pouco satisfeita. “A gente
falou com o doutor Petersen ontem depois do trabalho.”
Cary ergueu as sobrancelhas. “E como foi?”
“Bom, ele não disse pra gente ficar o mais longe possível um do outro nem
nada do tipo.”
“E se ele disser? Você vai aceitar?”
“Dessa vez não vou fugir quando a coisa ficar feia. Estou falando sério,
Cary.” Olhei bem para ele. “Você acha que eu ainda estaria nessa se não fosse
capaz de segurar a onda?”
“Gata, esse Jonas é um tsunami.”
“Rá!” Dei risada, mesmo sem querer. Cary era capaz de me fazer sorrir
mesmo quando eu sentia vontade de chorar. “Pra dizer a verdade, se as coisas
não derem certo com Joseph, duvido que eu consiga me acertar com alguém um
dia.”
“Você só está dizendo isso porque a sua auto estima está lá embaixo.”
“Pelo menos ele sabe como sou problemática.”
“Então tá bom.”
Foi a minha vez de erguer as sobrancelhas. “Então tá bom?” Ele tinha se
convencido muito facilmente para o meu gosto.
“Eu não entendo, mas respeito.” Cary pegou minha mão. “Agora vamos
pentear esses cabelos.”
Abri um sorriso de gratidão. “Você é o máximo.”

Ele bateu o quadril contra o meu. “Não vou te deixar esquecer isso.”

------------------------------x-------------------------------------x-------------------------------x--------------------------------x------------------------------------------------x-------------------------------------x-------------------
 Pessoal, sei que não peço para seguir o blog nem comentar por que sei que é chato,mas queria saber a opnião de vocês sobre a estória se estão gostando e tal.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Capítulo 8- MARATONA [3/5]

Joseph.
Arqueei meu corpo na direção de suas mãos ensaboadas. Seus polegares
atacavam suavemente os nós nos meus ombros, desfazendo-os sob sua pressão
na medida certa. Depois ele desceu por minhas costas... minhas nádegas... minhas
pernas...
“Vou cair”, gemi, inebriada de prazer.
“Eu pego você, meu anjo. Nunca vou deixar você cair.”
O sofrimento e a degradação das minhas lembranças se desmancharam diante
da atenção cuidadosa e reverente de Joseph. Mais do que a água e o sabão,
foi seu toque que me despertou do pesadelo. Virei-me e o vi agachado diante de
mim, com suas mãos deslizando por minhas panturrilhas, seu corpo prodigioso
maravilhosamente flexionado. Agarrei seu queixo e levantei sua cabeça.
“Você faz tão bem pra mim, Joseph”, eu disse num tom de voz suave. “Não
sei como pude me esquecer disso. Mesmo que só por um instante.”
Seu peito se expandiu em um suspiro súbito e profundo. Joseph se endireitou,
suas mãos subindo pelas minhas coxas até que estivesse totalmente de
pé. Ele me beijou na boca. Bem de leve. “Sei que um monte de merda aconteceu
hoje. Porra... esta semana toda. Pra mim também não está sendo nada fácil.”
“Eu sei.” Eu o abracei, apertando meu rosto contra seu coração. Ele era tão
forte. Adorava a sensação de me entregar aos seus braços.
Sua ereção já se fazia sentir entre nós, e ficou ainda mais intensa quando
me aninhei a ele. “Demetria...” Ele limpou a garganta. “Me deixe terminar, meu anjo.”
Mordi seu mamilo e agarrei sua bunda durinha, diminuindo o espaço entre
nós. “Por que você não começa em vez de terminar?”
“Não era isso que eu tinha em mente.”
Como se a coisa pudesse terminar de outra maneira quando estávamos
ambos sem roupa e passando as mãos pelo corpo um do outro. Eu não resistia
nem ao toque de suas mãos nas minhas costas enquanto andávamos — era como se estivesse no meio das minhas pernas. “Bom... É só rever o planejamento,
garotão...”
Joseph pôs as mãos em torno do meu pescoço, com os polegares sob meu
queixo para puxar meu rosto para cima. A expressão dele dizia tudo e, antes que
dissesse que não era uma boa ideia fazer amor naquele momento, fui logo
pegando no pau dele.
Ele gemeu e começou a remexer os quadris. “Demetria...”
“Seria um desperdício não aproveitar isto aqui.”
“Não posso pisar na bola com você.” Seus olhos estavam vidrados em mim.
“Se algum dia você rejeitar meu toque, nem sei o que serei capaz de fazer.”
“Joseph, por favor...”
“Sou eu que vou dizer quando chegar a hora.” O tom imperativo de sua voz
era inconfundível.
Ele se afastou, e agarrou o próprio pau.
 Eu me remexi toda, inquieta, hipnotizada pelo movimento de sua mão habilidosa
e seus dedos longos e elegantes. Quando a distância entre nós
aumentou, comecei a sentir um desconforto, uma reação física à perda de seu
contato mais íntimo. A agitação morna que ele despertou em mim com seu
toque se transformou em fervor, como se ele tivesse jogado gasolina em uma
fogueira.
“Está vendo alguma coisa de que você gosta?”, ele provocou, tocando seu
corpo.
Atônita com o fato de ele estar me provocando depois de ter me repelido,
revirei os olhos... e perdi o fôlego.
Joseph também estava morrendo de tesão. Era impossível pensar em
outra maneira de descrever o que ele sentia naquele momento. Ele me olhava
como se quisesse me devorar viva. Sua língua percorria lentamente o contorno dos lábios, como se estivesse me degustando. Quando mordeu o lábio inferior,
era como se estivesse entre minhas pernas. Eu conhecia bem demais aquele olhar...
sabia o que viria depois dele... conhecia a ferocidade com que Joseph me
pegava quando seu desejo chegava àquele ponto.
Aquele olhar era uma incitação ao sexo. Impetuoso, incansável, de virar a
cabeça. Ele estava do outro lado do chuveiro, com as pernas afastadas, remexendo
seu corpo perfeito enquanto acariciava seu pau enorme de maneira lenta e
ritmada.
Eu nunca tinha visto nada tão sexy e profundamente masculino.
“Nossa”, sussurrei, encantada. “Você é muito gostoso.”
O brilho em seus olhos revelava que ele sabia o efeito que estava gerando
sobre mim. Sua mão livre deslizou por seu abdome firme e apertou seu peitoral,
deixando-me até com inveja. “Você consegue gozar só de olhar pra mim?”
Foi quando percebi o que estava acontecendo. Ele estava com medo de ter
uma relação comigo logo depois do meu pesadelo, com medo de causar alguma
reação desagradável. Mas mesmo assim estava disposto a me excitar — a me inspirar
— para que eu mesma me desse prazer. A onda de emoção que senti
naquele momento foi arrebatadora — uma mistura de gratidão e afeto, desejo e
carinho.
Seus olhos se fecharam, como se aquelas palavras fossem mais do que ele
pudesse suportar. Quando Joseph os abriu de novo, a determinação estampada
em seu rosto me fez estremecer. “Então mostra.”
A cabeça de seu pau grande e grosso estava escondida na palma de sua
mão. Ele apertou ainda mais, com uma expressão de prazer que me fez espremer
minhas coxas uma contra a outra. Joseph passou o polegar por um dos mamilos.
Uma vez. Duas vezes. E soltou um gemido rouco que me fez salivar.
A água que batia nas minhas costas e o vapor que pairava entre nós tornava
a cena toda ainda mais erótica. Seus movimentos se aceleraram, subindo e
descendo em um ritmo constante. Seu pau era tão grande e grosso... Ele era um
homem inquestionavelmente viril.
Incapaz de aplacar as pontadas de dor nos meus mamilos endurecidos,
agarrei meus seios e os apertei com força.
“Isso, meu anjo. Mostra como você faz.”
Por um momento, duvidei que fosse capaz de fazer aquilo. Pouco tempo
antes, tinha morrido de vergonha ao falar do meu vibrador com Joseph.
“Olhe pra mim, Demetria.” Ele agarrou as bolas com uma das mãos e o pau com
a outra. Sem nenhuma vergonha, o que era um tesão. “Não quero gozar sozinho.
Você precisa me acompanhar.”
Eu queria demonstrar o mesmo desejo. Queria deixá-lo no mesmo estado
em que eu estava. Queria que meu corpo — minha vontade — reverberasse no
meu cérebro assim como a imagem dele estava gravada no meu. Com os olhos grudados nos dele, percorri meu corpo com as mãos. Observando
seus movimentos... notando sua respiração profunda... usando suas
reações para descobrir o que o levava à loucura.
De certa forma, foi um momento tão íntimo quanto nas vezes em que ele
esteve dentro de mim — talvez ainda mais, já que estávamos completamente expostos.
Sem nenhuma defesa. O prazer de um se refletindo no do outro.
Joseph começou a me dizer o que fazer com sua voz divinamente sexy e
rouca: “Aperte seus peitos, meu anjo... Ponha a mão lá embaixo... está molhadinha?
Enfie os dedos... Viu como você é apertadinha? Uma bocetinha gostosa e
macia, um paraíso para o meu pau... Você é uma delícia... Um tesão. Meu pau
está doendo de tão duro. Olha o que você está fazendo comigo... Vou gozar muito...”.
“Joseph”, sussurrei, massageando meu clitóris com os dedos em movimentos
circulares, remexendo os quadris sem parar.
“Vou gozar com você”, ele gemeu, masturbando violentamente seu pau,
perseguindo o orgasmo.
Quando senti a primeira contração no meu ventre, dei um grito, e minhas
pernas amoleceram. Espalmei a mão no vidro do box para me equilibrar enquanto
o orgasmo roubava a força dos meus músculos. Joseph chegou até mim
em um segundo, agarrando meus quadris de uma maneira que demonstrava todo
o seu desejo e controle sobre mim, apertando-me inquietamente.
“Demetria!”, ele grunhiu quando o primeiro jato quente e grosso de sêmen tocou
minha barriga. “Ai, caralho.”
Inclinando-se sobre mim, ele cravou os dentes entre meu ombro e meu
pescoço, sem provocar nenhuma dor, mas explicitando todo o seu prazer. Senti
seus gemidos junto a mim e sua gozada violenta, lançando jorros sucessivos contra

minha barriga.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Capítulo 7-MARATONA [2/5]

“Essa coisa de terapia é uma novidade pra mim”, Joseph disse mais tarde, a caminho de casa no Bentley. “Então não sei bem como avaliar, mas foi mesmo o desastre que pareceu ser?”
“Poderia ter sido melhor”, respondi, jogando a cabeça para trás e fechando os olhos. Eu estava exausta. Cansada demais até para pensar em fazer a aula de krav maga das oito. “Só quero tomar um banho e ir pra minha cama.”
“Tenho umas coisas pra resolver antes de encerrar meu dia.”
“Tudo bem.” Bocejei. “Por que você não faz o que precisa e a gente se fala amanhã?”
Minha sugestão foi seguida de um silêncio absoluto. Pouco depois, o clima ficou tão tenso que eu não tive escolha a não ser abrir os olhos, erguer a cabeça e me virar para ele.
Joseph estava me encarando, com os lábios contorcidos de frustração.
“Você está me dispensando.”
“Não, eu só...”
“Não o cacete! Você já me julgou e me condenou, agora está me dando um pé na bunda.”
“Estou morta de cansaço, Joseph! Tenho os meus limites. Preciso de uma noite de sono e...”
“Eu preciso de você”, ele interrompeu. “O que mais tenho que fazer pra você acreditar em mim?”
“Não acho que você tenha me traído. Tá bom? Por mais que a coisa pareça suspeita, não consigo acreditar que você faria isso. São os segredos que estão me incomodando. Estou me doando totalmente para as coisas darem certo, mas você...”
“Acha que não estou?” Ele se remexeu no assento, posicionando uma das pernas em cima do banco para ficar de frente para mim. “Nunca me esforcei tanto pra uma coisa dar certo na minha vida como agora.”
“Você não tem que fazer esse esforço por mim. Faça por você mesmo.”
“Não me venha com esse papo furado! Eu não precisaria me esforçar tanto pra me relacionar com outra pessoa qualquer.”
Soltando um gemido baixinho, recostei a cabeça no assento e fechei os olhos s de novo. “Estou cansada de brigar, Joseph. Só quero um pouco de paz por uma noite. Estou meio fora do ar o dia todo.”
“Você está doente?” Ele chegou mais perto, agarrando com delicadeza minha nuca e beijando minha testa. “Não parece estar com febre. É o estômago?
Respirei bem perto dele, absorvendo o cheiro delicioso de sua pele. A vontade de descansar meu rosto em seu pescoço era quase insuportável.
“Não.” Foi quando me dei conta. Soltei um gemido.
“O que foi?” Ele me puxou para seu colo, abraçando-me bem forte. “O que foi? Quer ir ao médico?”
“É TPM”, murmurei, sem querer que Angus ouvisse. “Vou menstruar a qualquer momento. Não sei como não percebi antes. Não é à toa que estou tão cansada e nervosa. São os hormônios.”
Ele ficou imóvel. Depois de alguns segundos, levantei a cabeça à procura de seu rosto.
Com um sorrisinho de malícia, ele admitiu: “Isso é novidade pra mim. Não é um problema que aparece muitas vezes numa vida marcada pelo sexo casual”.
“Sorte sua. Agora você vai ver o que é conviver com uma mulher.”
“Sorte minha mesmo.” Joseph tirou os fios de cabelos soltos sobre minha têmpora, deixando seus próprios cabelos caírem sobre o rosto. “Talvez, se eu tiver mais um pouco de sorte, amanhã você já vai estar melhor e vai voltar a gostar de mim.”
Ai, meu Deus. Senti um aperto no coração. “Ainda gosto de você, Joseph. Só não gosto dos seus segredos. Vão acabar com a gente.”
“Não deixe isso acontecer”, ele murmurou, acariciando o contorno das minhas sobrancelhas com a ponta do dedo. “Confie em mim.”
“Você vai ter que confiar em mim também.”
Ele me abraçou e me beijou bem de leve na boca. “Quer saber de uma coisa, meu anjo?”, ele sussurrou. “Não existe ninguém em quem eu confie mais.”
Enfiei os braços por baixo de seu paletó e o abracei, sentindo o calor de seu corpo esguio e rígido. A preocupação com o fato de que estávamos começando a nos afastar um do outro era inevitável.
Joseph aproveitou a ocasião para enfiar a língua na minha boca, provocando a minha com suas lambidas aveludadas. Sem a menor pressa. Eu queria um contato ainda mais íntimo, precisava de mais. Muito mais. Lamentava o fato de que, em termos emocionais, tinha muito pouco acesso a ele.
Ele gemeu dentro da minha boca, um som erótico de prazer que reverberou dentro de mim. Virando a cabeça, colou seus lábios lindamente esculpidos aos meus. O beijo foi se tornando mais profundo, as línguas foram se encontrando , nossa respiração foi se acelerando.
A mão sobre a minha nuca me puxou mais para perto dele. A outra se  enfiou por dentro da minha blusa, acariciando minha coluna com sua superfície morna. Seus dedos se flexionaram, mantendo um toque suave mesmo quando o beijo esquentou. Eu me arqueei em direção à sua carícia, sentindo a necessidade de seu toque contra a minha pele.
“Joseph...” Pela primeira vez, nossa proximidade física não era suficiente para aplacar o desejo desesperado que pulsava dentro de mim.
“Shh”, ele me acalmou. “Estou aqui. Não vou a lugar nenhum.”
Fechei os olhos e me aninhei no pescoço dele, perguntando a mim mesma se seríamos teimosos a ponto de insistir quando tudo parecia dizer que era melhor deixar para lá.
Acordei com um grito, abafado pela mão suada que cobria minha boca. Um peso esmagador me deixava sem fôlego enquanto outra mão se enfiava por debaixo da minha camisola, apalpando-me. O pânico tomou conta de mim e comecei a me debater, esperneando freneticamente.
Não... Por favor, não... Chega. De novo, não.
Arfando como um cão, Nathan escancarou minhas pernas à força. O Membro duro que ele tinha no meio das pernas abria caminho às cegas, esfregando-se nas minhas coxas. Resisti até sentir meus pulmões em chamas, mas ele era  forte demais. Não conseguia movê-lo dali. Não havia como escapar.
Para com isso! Sai de cima de mim! Me larga! Por favor, não faz isso comigo... não me machuca...
Mãe!
As mãos de Nathan me empurravam para baixo, esmagando minha cabeça contra o travesseiro. Quanto mais eu reagia, mais excitado ele ficava. Sussurrando palavras terríveis e asquerosas na minha orelha, ele encontrou uma fenda frágil e macia no meio das minhas pernas e me penetrou com um grunhido. Fiquei paralisada, imobilizada por uma dor terrível.
“Assim”, ele grunhiu... “Agora você vai gostar... sua putinha... você está gostando...”
Eu não conseguia respirar. Sentia meus pulmões funcionando aos espasmos, minhas narinas bloqueadas pela mão dele. Pontinhos coloridos dançando diante dos meus olhos. Meu peito queimava. Comecei a me debater de novo... precisava de ar...desesperadamente...
“Demetria! Acorda!
Meus olhos se abriram diante daquela ordem dada aos berros. Consegui libertar meus braços, depois meu corpo todo... Afastei-me... lutando para me desvencilhar dos lençóis enroscados nas minhas pernas... perdendo o equilíbrio...
O impacto contra o chão me acordou de vez, e um ruído terrível de dor e de medo escapou pela minha garganta.
“Droga, Demetria. Assim você vai se machucar!”
Respirei profundamente algumas vezes e fui engatinhando até o banheiro.
Joseph me levantou e me agarrou junto ao peito. “Demetria.”
“Vou vomitar”, eu disse engasgada, pondo a mão sobre a boca quando senti meu estômago embrulhar.
“Eu levo você”, Joseph disse sem hesitar, conduzindo-me com passadas
firmes e decididas. Ele me levou até o vaso e levantou o assento. Ajoelhado ao meu lado, segurou meus cabelos enquanto eu vomitava, acariciando minhas cóstas com sua mão quente.
“Calma, meu anjo”, ele murmurava sem parar. “Está tudo bem. Você está em segurança.”
Depois de esvaziar meu estômago, dei a descarga e apoiei o rosto suado sobre o antebraço, tentando me concentrar em qualquer coisa que ajudasse a dispersar as reminiscências daquele sonho.
“Gata...”
Virei a cabeça e vi Cary parado na porta do meu banheiro, com seu belo rosto franzido em uma careta. Ele estava com um jeans largo e uma camiseta, o que me fez notar que Joseph também estava totalmente vestido. Ele não usava mais o terno, nem a calça de moletom que vestiu assim que chegou. Estava de jeans e camiseta preta.
Desorientada, olhei no relógio e vi que mal havia passado da meia-noite.
“O que vocês estão fazendo?”
“Acabei de chegar”, respondeu Cary. “E encontrei Jonas entrando.”Olhei para Joseph, que tinha a mesma expressão preocupada do meu
amigo. “Você saiu?”
Joseph me ajudou a levantar. “Eu avisei que precisava resolver umas coisas.”
À meia-noite? “Que coisas?”
“Nada de mais.”
Escapei de seu abraço e fui até a pia escovar os dentes. Mais um segredo.
Quantos ele ainda teria?
Cary apareceu ao lado do meu reflexo no espelho. “Fazia tempo que você não tinha um pesadelo.”
Em seus olhos verdes preocupados, percebi como estava exausto.
Ele deu um apertão de leve no meu ombro. “Vamos relaxar no fim de semana. Recarregar as baterias. Estamos precisando. Você vai conseguir ficar bem?”
“Eu cuido dela.” Joseph levantou da borda da banheira, onde estava sentado tirando suas botas.
“Isso não significa que eu não possa ajudar.” Cary deu um beijo na minha testa. “Se precisar de alguma coisa é só gritar.”
O olhar que ele me lançou ao sair do quarto disse tudo — Cary não gostava
da ideia de Joseph dormindo ali comigo. Na verdade, eu também tinha minhas restrições a esse respeito. A preocupação constante com o distúrbio do sono dele estava contribuindo e muito para minha instabilidade emocional. Como Cary havia dito pouco tempo antes, o cara era uma bomba-relógio, e eu estava dividindo minha cama com ele.
Enxaguei a boca e pus a escova de dente de volta no suporte. “Preciso de um banho.”
Tinha tomado um antes de dormir, mas estava me sentindo suja de novo.
Um suor frio brotava da minha pele. Quando eu fechava os olhos, podia sentir o cheiro dele — de Nathan — em mim.
Joseph ligou o chuveiro e começou a tirar a roupa, distraindo-me em boa hora com a visão de seu corpo maravilhoso. Sua musculatura era firme e bem definida. Sua silhueta era esguia, mas ainda assim forte e elegante.
Deixei minhas roupas no chão e entrei debaixo do jato quente de água soltando um gemido. Ele entrou logo atrás, pôs meu cabelo de lado e beijou meu ombro. “Está melhor?”
 “Estou.” Porque você está aqui.
Joseph enlaçou minha cintura cautelosamente com os braços e soltou um
suspiro trêmulo. “Eu... Nossa, Demetria. Você estava sonhando com Nathan?”
Respirei fundo. “Talvez algum dia a gente seja capaz de conversar sobre nossos sonhos...”
Ele soltou o ar dos pulmões, apertando meus quadris com os dedos. “Não dá pra explicar, né?”
“É”, murmurei. “Não dá pra explicar.”
Ficamos no chuveiro um tempão, envoltos em vapor e segredos, fisicamente próximos, mas emocionalmente distantes. Eu detestava aquilo.A vontade de chorar era mais forte que eu e não tentei reprimi-la. Era bom desabafar. Toda a pressão daquele longo dia pareceu se dissipar com meus soluços.
“Meu anjo...” Joseph me abraçou pelas costas, seus braços bem presos à minha cintura, confortando-me com o escudo protetor de seu corpo volumoso.
“Não chore... Não aguento isso. Diga do que você precisa, meu anjo. O que eu posso fazer?”
“Tire a sujeira de mim”, sussurrei, inclinando-me na sua direção,
entregando-me à sua possessividade reconfortante. Meus dedos se enlaçaram com os dele na altura da minha barriga. “Eu quero ficar limpa.”
“Você já está limpa.”
Respirei bem fundo, sacudindo a cabeça em negação.
“Escute o que vou dizer, Demetria. Ninguém nunca mais vai encostar em você”, ele disse, convicto. “Ninguém nunca mais vai encostar em você. Nunca mais.”
Apertei os dedos dele entre os meus.
“Nem por cima do meu cadáver, Demetria. Isso não vai acontecer.”
A dor que eu sentia no peito me impedia de falar. A ideia de Joseph encarando meu pesadelo... vendo o homem que havia feito aquilo comigo... O nó no estômago que eu havia sentido o dia todo se apertou ainda mais. Joseph pegou o xampu e eu fechei os olhos, procurando não pensar em mais nada além do homem cuja única preocupação naquele momento era eu.
Esperei, sem fôlego, pelo toque de seus dedos mágicos. Quando os senti, tive que procurar o apoio da parede para não cair. Com ambas as mãos espalmadas contra os azulejos frios, saboreei a sensação de seus dedos massageando meu couro cabeludo e soltei um gemido.
“Está gostoso?”, ele perguntou num tom de voz baixo e meio rouco.
“Como sempre.”

Entreguei-me ao prazer de senti-lo lavar meus cabelos e depois passar condicionador neles, estremecendo de leve enquanto Joseph passava o pente nas pontas encharcadas. Fiquei decepcionada quando terminou, e devo ter soltado algum ruído de protesto, porque ele se inclinou para a frente e avisou: “Calma,só estou começando”.Senti o cheiro do sabonete líquido, e então...