sábado, 21 de março de 2015

Capítulo 27

Tomamos um banho de chuveiro e tiramos um cochilo que durou todo o restante da manhã. Foi muito gostoso poder dormir ao meu lado de novo, com o travesseiro apoiado em seu peito, meu braço largado sobre sua barriga durinha e minhas pernas enroscadas com as dele. Quando acordamos, pouco depois da uma da tarde, eu estava faminta. Descemos para a cozinha juntos, e  descobri que gostava do visual hipermoderno daquele lugar.
As portas de vidro dos armários e o granito das bancadas combinavam perfeitamente com a madeira nobre do piso. Para tornar tudo ainda melhor, a despensa estava lotada. Não precisávamos sair de casa para nada. Optamos pela lei do menor esforço e fizemos sanduíches, que levamos para a sala e comemos com as pernas cruzadas, virados um para o outro. Já estava na metade do meu quando me surpreendi Joseph me olhando com um sorriso no rosto.
“Que foi?”, perguntei entre uma mordida e outra.
“Arnoldo tem razão. É divertido ver você comer.”
“Ah, fica quieto.”
Seu sorriso se escancarou. Ele parecia tão despreocupado e feliz que senti um aperto no peito.
“Como foi que você descobriu este lugar?”, perguntei. “Ou foi Scott?”
“Fui eu.”
Ele enfiou uma batata frita na boca e lambeu o sal dos lábios, o que achei absurdamente sexy.
"Queria levar você para uma ilha, onde ninguém pudesse incomodar a gente. Este lugar é quase isso, descontando o contratempo da duração da viagem. Era para a gente ter vindo de avião."
Eu me distraí enquanto comia, lembrando a longa viagem para chegar até ali. Por mais enlouquecedora que pudesse ter sido, havia algo de excitante na ideia de que ele precisou reprogramar tudo apenas para poder me foder intensamente durante horas, tudo isso só para que eu pudesse encarar uma verdade que me recusava a enxergar. Só de imaginar toda a frustração e toda a raiva que o levaram a planejar aquilo... seus pensamentos voltados em liberar toda a sua paixão sobre meu corpo desejoso e indefeso...
" Você está com uma carinha de quem quer trepar..." , ele observou. " E depois vem dizer que o tarado sou eu."
" Desculpa."
" Não foi uma reclamação."
 Decidi voltar meus pensamentos para eventos mais desagradáveis da noite. " Acho que Arnaldo não gostou muito de mim."
 Ele ergueu uma das sobrancelhas . " Você está com a maior cara de tesão e estava pensando em Arnaldo? Vou ter que dar uma surra nele também?
“Não. Que coisa... Só falei nisso pra desviar o foco do sexo, e porque é uma coisa sobre a qual precisamos conversar.”
Ele deu de ombros. “Falo com ele."
" Acho que quem precisa fazer isso sou eu, na verdade."
Joseph me encarou com seus olhos azuis encantadores. “E o que você vai dizer?”
 
“Que ele tem razão. Que eu não mereço você e que pisei na bola. Só que estou apaixonada demais e preciso de uma chance pra provar que posso te fazer feliz.”
“Meu anjo, se eu fosse mais feliz do que você me faz, viraria uma pessoa disfuncional.” Ele pegou minha mão e beijou a ponta dos meus dedos.
 “Não interessa o que os outros pensam. A gente tem nosso próprio ritmo e está contente
com ele.”
 
“Você está mesmo contente?” Peguei minha garrafinha de chá gelado de
cima da mesa e dei um gole. “Sei que tudo isso é bem desgastante pra você. E se essa dureza toda for mais do que a gente é capaz de suportar?”
“Essa sua conversa é bem sugestiva...”

“Ai, meu Deus.” Dei risada. “Você é terrível.”

Seus olhos brilhavam de divertimento. “Não é isso que você costuma dizer.”
Balancei a cabeça e voltei minha atenção para o sanduíche.
“Prefiro brigar com você, meu anjo, a rir e me divertir com qualquer outra pessoa.
 Minha nossa. Precisei de alguns instantes a mais para engolir o último pedaço que estava na minha boca.
“Você sabe, né? Que te amo de paixão?”
Ele sorriu. “Sei.”
Depois que limpamos a sujeira do almoço, larguei a esponja na pia e anunciei:
“Preciso dar o telefonema semanal para meu pai”.
Joseph sacudiu a cabeça. “Sem chance. Você vai ter que esperar até segunda.”
“Hã? Por quê?”
Ele me encurralou no balcão, posicionando as mãos em torno de mim.
“Aqui não tem telefone.”
“Sério? E o seu celular?” O meu havia ficado em casa, pois não tinha onde
carregá-lo no show e não havia motivo para levá-lo comigo.
“Está a caminho de Nova York, com a limusine. Estamos sem internet também.
Mandei tirar o modem e os telefones antes de chegarmos.”
Fiquei sem saber o que dizer. Com tantos compromissos e tanta responsabilidade
nas costas, Joseph se desconectar do mundo daquela maneira durante o fim de semana era... inacreditável. “Uau. Quando foi que a última vez que você ficou incomunicável desse jeito?"
“Hum... acho que nunca fiquei.”
“Deve haver pelo menos meia dúzia de pessoas surtando por não conseguir falar com você.”
Ele deu de ombros, despreocupado. “Elas se viram.”
Senti uma onda de prazer percorrer meu corpo. “Então vou ter você todinho só pra mim?”
“Exatamente.” Ele abriu um sorriso malicioso. “O que vai querer fazer comigo, meu anjo?”
Sorri de volta, extasiada. “Vou pensar em alguma coisa, pode ter certeza.”
Fomos dar um passeio na praia.
Vesti uma das calças de pijama de Joseph, que enrolei até as canelas, e minha regatinha branca, o que era uma indecência, porque meu sutiã estava a caminho de Nova York com o celular de Joseph.
“Acho que morri e fui para o paraíso”, ele anunciou, olhando para meus peitos enquanto caminhávamos pela areia, “onde a encarnação de todas as minhas fantasias masturbatórias de adolescência existe de verdade e é toda minha.”
Bati no ombro dele com o meu. “Como é que você consegue passar de deliciosamente
romântico para tarado e grosseiro em tão pouco tempo?”
“Esse é mais um dos meus talentos.” Seus olhos estavam de novo voltados para meus mamilos endurecidos, uma cortesia da brisa do mar. Ele apertou minha mão e soltou um suspiro de felicidade um tanto teatral. “Estou no paraíso com meu anjo. Não existe nada melhor que isso.”
 
Fui obrigada a concordar. A praia era linda e tinha um visual selvagem e indomado que lembrava bastante o homem que estava ao meu lado. O som das ondas e o barulho das gaivotas me proporcionavam um contentamento inigualável. A água fria batia em meus pés descalços, e o vento lançava meus cabelos s
obre meu rosto. Fazia tempo que eu não me sentia tão bem, e fiquei feliz por Joseph ter reservado aquele tempinho só pra nós. Quando estávamos sozinhos, tudo parecia perfeito.
por Joseph ter reservado aquele tempinho só para nós. Quando estávamos sozinhos,
“Você gostou daqui”, ele percebeu.
“Sempre gostei de ficar perto da água. O segundo marido da minha mãe tinha uma casa no lago. Eu me lembro de caminhar com ela pela margem, como estamos fazendo agora, e sempre pensei em comprar uma casinha perto da água pra mim algum dia.”
Ele soltou minha mão e me abraçou pelo ombro. “Então vamos fazer isso.
Que tal essa casa em que estamos? Você gostou?”
 
Eu me virei para Joseph e adorei vê-lo com os cabelos todos bagunçados pelo vento. “Está à venda?”
Ele olhou para a praia que se estendia diante de nós. “Tudo no mundo está à venda. Basta pagar o preço.”
“E você gostou?”
“Ela é meio morta por dentro, com todo aquele branco, mas gostei da suíte principal. O resto podemos mudar e deixar do nosso jeito.”
“Nosso jeito”, repeti, perguntando-me qual seria. Eu adorava o apartamento dele, com sua elegância tradicional. Acho que ele se sentia à vontade no meu apartamento também, que tinha um toque moderno. Uma combinação dos dois... “Seria um grande passo comprar um imóvel juntos.”
“Um passo inevitável”, ele corrigiu. “Você mesma disse para o doutor
Petersen que não vamos desistir um do outro.”
“É, eu disse mesmo.” Caminhamos mais um pouco em silêncio. Tentei descobrir como me sentia quanto ao fato de Joseph querer que tivéssemos um vínculo concreto entre nós. E também entender por que uma propriedade conjunta era a maneira que havia escolhido para isso. “Então posso deduzir que você também gostou daqui, certo?”
“Gosto de praia.” Ele tirou o cabelo do rosto com a mão. “Tenho uma foto minha e do meu pai fazendo um castelo na areia.”
Não sei nem como consegui me equilibrar sobre meus pés. Joseph quase nunca falava voluntariamente sobre seu passado, o que tornava aquela revelação um acontecimento. “Eu gostaria de ver.”
“Está com minha mãe.” Demos mais alguns passos antes que ele dissesse:
“Eu pego pra você”.
“Posso ir junto.” Joseph ainda não havia me contado por que, mas a casa dos Vidal era um pesadelo para ele. Eu desconfiava que o trauma que deu origem à sua parassonia tinha acontecido ali.
Joseph respirou profundamente, fazendo seu peito subir e descer. “Posso mandar alguém buscar.”
 
“Tudo bem.” Virei a cabeça e beijei a mão que estava apoiada em meu ombro.
“Mas minha oferta continua de pé.”
“O que você achou da minha mãe?”, ele perguntou, do nada.
"Ela é muito bonita. Muito elegante. E me pareceu muito agradável.” Eu o observei bem, reconhecendo os cabelos escuros e os olhos azuis deslumbrantes de Elizabeth Vidal. “Ela parece te amar muito. Dava pra ver nos olhos dela.”
Joseph continuou olhando para a frente. “Esse amor não foi suficiente.”
Perdi o fôlego. Como não sabia a causa de seus terríveis pesadelos, achei que talvez sua mãe o amasse mais do que o normal. Foi um alívio saber que não era esse o caso. O fato de seu pai ter cometido suicídio já era ruim o bastante.
Ser abusado pela própria mãe poderia gerar um trauma quase irrecuperável.
“Por que não foi suficiente, Joseph?”
 
“Mas é claro que você acredita em mim, meu anjo. Já dividiu a cama comigo.”
Peguei seu rosto com as mãos e olhei no fundo de seus olhos. “Eu acredito em você.”
Seu rosto se contorceu em uma expressão de dor antes que ele me abraçasse com força.“Demetria.”
Enlacei sua cintura com as pernas e seus ombros com os braços. “Acredito em você.”
Quando voltamos à casa, Joseph foi até a cozinha abrir uma garrafa de vinho e eu fiquei olhando os livros nas estantes. Abri um sorriso ao me deparar com o primeiro volume da série com o protagonista que me fazia lembrar dele, um dos motivos para chamá-lo de “garotão”.
Deitamos no sofá, e eu fiquei lendo em voz alta enquanto ele brincava distraidamente com meus cabelos. Joseph se manteve pensativo depois da nossa
caminhada, com a cabeça bem longe. Não me incomodei com isso. Tínhamos feito uma série de revelações um para o outro ao longo dos dois últimos dias, e um período de reflexão era necessário.
Quando a maré subiu, chegou de fato até debaixo da casa, produzindo um som incrível e um visual ainda mais impressionante. Saímos para o deque para ver o vai e vem das ondas, que transformava a casa em uma ilha flutuante.
“Vamos derreter chocolate e comer com marshmallow”, sugeri, inclinando-me o gradil quando Joseph laçou por  trás . "agente pode acender a lareira."
Ele mordeu minha orelha e sussurrou: “Prefiro lamber o chocolate derretido do seu corpo."
 
Sim, por favor... “Não vai me queimar?”
“Não se a gente fizer direito.”
Ele me pegou e me pôs sentada no gradil quando me virei para encará-lo.
Depois se posicionou entre minhas pernas e me abraçou pelos quadris. Observando
o sol se pôr no oceano, fomos envolvidos por aquele clima de paz. Acariciei
seus cabelos com os dedos, embalada pela brisa que os sacudia.
“Você chegou a falar com Ireland?”, perguntei, querendo saber de sua
meia-irmã, que era tão linda quanto a mãe. Eu a havia conhecido numa festa da
Vidal Records e não precisei de muito tempo para notar que ela estava desesperada
por um pouco de atenção por parte do irmão mais velho.
“Não.”
"Que tal você leva-la pra jantar lá em casa quando meu pai estiver na cidade?"
Ele inclinou a cabeça para me observar melhor. “Você quer que eu convide uma menina de dezessete anos pra jantar comigo e com seu pai?"
“Não, quero que minha família conheça a sua.”
“Ela vai ficar entediada.”
“Como é que você sabe?”, perguntei. “Acho que sua irmã idolatra você.
Com um pouquinho de atenção da sua parte, ela tem tudo pra ser uma ótima companhia."
“Demetria." Suspirou claramente incomodado. "Cai na real. Não tenho menor ideia do que conversar com uma adolescente."
“Ireland não é uma garota qualquer, ela é sua...”
“Mas é como se fosse!” Ele franziu o rosto.
Foi quando percebi. “Você tem medo dela.”
“Qual é?!”, ele ironizou.
“Tem mesmo. Ela assusta você.” E eu duvidava que isso tivesse a ver com a idade da irmã dele ou o fato de ser menina."
“O que foi que deu em você?”, ele protestou. “Está cismada com Ireland. Esquece que ela existe."
“Ela é a única pessoa da sua família com quem você pode contar, Joseph."
Pelo menos era assim que eu queria que ele pensasse. Seu irmão Christopher era um canalha e sua mãe não merecia que ele fizesse parte da sua vida.
 
“Posso contar com você!”
"Amor..."Suspirei e o enlacei com minhas pernas. “Claro que você pode
contar comigo. Mas isso não significa que não existe espaço na sua vida para outras pessoas que te amam."
“Ela não me ama”, Joseph mumurou." Nem me conhece."
“Acho que você está enganado, mas, mesmo se não estiver, Ireland vai aprender a amar você quando te conhecer melhor. É só abrir espaço pra isso."
“Já chega. Vamos voltar a falar do chocolate.”
Tentei insistir, mas era impossível. Quando ele dava um assunto por encerrado, não adiantava continuar falando. Eu teria que arrumar outro jeito de abordar a questão.
Passei meus dedos sobre seus ombros e seu peito. “Eu até deixaria você me lambuzar todinha de chocolate. E adoraria despejar um pouco sobre você também."
Ele ergueu as sobrancelhas. “Está tentando me subornar com favores sexuais de novo?"
“Quando foi que eu disse isso?” Pisquei, fingindo-me de inocente. “Não me lembro de ter dito nada disso."
“Está implícito na conversa. Vamos ser bem claros.” Ele falou com uma voz assustadoramente grave. Seus olhos faiscavam, e sua mão agarrava um dos meus seios por baixo da blusa." Vou convidar Ireland para jantar com seu pai porque isso vai deixar você feliz, e assim eu também fico feliz.^"
Obrigada”, eu disse quase sem fôlego, porque ele estava acariciando de
forma ritmada meu mamilo, fazendo-me gemer de prazer.
“Vou fazer o que quiser com o chocolate derretido no seu corpo, porque se eu gostar também vai gostar. Sou eu que decido quando e como. Repita isso."
“É você que decide...” Eu soltei o ar com toda a força quando ele abocanhou meu outro mamilo por cima da roupa. " Nossa."
Ele me mordeu de leve. “Termine.”
Meu corpo todo ficou tenso em obediência àquele tom de voz autoritário.
“É você que decide quando e como.”
“Com algumas coisas você pode barganhar, meu anjo, mas no sexo não existe negociação."
Agarrei seus cabelos com as duas mãos, uma resposta instintiva à sua sucção deliciosa nos meus mamilos sensíveis. Eu havia desistido de tentar entender por que queria que ele estivesse no controle. Era essa minha vontade e ponto final." Como o que mais posso barganhar? Você tem tudo.
Seu tempo e sua atenção são duas coisas preciosas, que eu faria de tudo para conseguir."
Senti um tremor percorrer meu corpo. “Estou molhadinha pra você”, murmurei.
Joseph se afastou do gradil levando-me junto com ele. " E é justamente assim que eu quero."
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Bonecaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaas, desculpem a demora o meu PC estava quebrado e não pude postar. Comenten bastante e até a próxima.Bjocas <3
 
 
 
 
 
 
 
 
 
  

 
 



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