quarta-feira, 16 de julho de 2014

Capítulo 12

Eu tinha acabado de arrumar minha mala para a viagem de volta quando ouvi o som inconfundível da voz de Joseph na sala da suíte. Uma carga de adrenalina inundou minhas veias. Teríamos que conversar sobre o que eu havia feito no fim de semana, apesar de termos nos falado na noite anterior, antes de Cary e eu cairmos na balada, e de novo naquela manhã, quando acordei.
Eu ficava agoniada por ter que me fingir de boba. Estava ansiosa para saber se Clancy havia providenciado tudo o que eu tinha pedido. Na última vez em que tinha falado com o guarda-costas do meu padrasto, ele me garantiu que tudo ocorrera conforme o planejado.
Descalça, passei pela porta aberta do meu quarto bem a tempo de ver Cary saindo da suíte. Joseph estava sozinho na sala, com os olhos vidrados em mim, como se estivesse esperando que eu aparecesse a qualquer momento. Estava usando jeans bem folgado e camiseta preta, e minha saudade era tão grande que meus olhos até arderam.
“Oi, meu anjo.”
 “Oi, garotão.”
O lindo contorno de sua boca se estreitou por um momento. “Fiz alguma coisa em especial para merecer esse tratamento?”
“Bom... você é mesmo um garotão. E é o apelido de um personagem que eu sempre achei um tesão.”
“Não gosto nada da ideia de você achar alguém um tesão, seja uma pessoa de verdade ou um personagem.”
“Você se acostuma.”
Sacudindo a cabeça, ele começou a vir na minha direção. “Assim como precisei me acostumar ao lutador de sumô que você mandou ficar na minha cola?”
Tive que morder a parte de dentro da minha bochecha para não rir. Não tinha mencionado nenhum tipo físico específico quando pedi para Clancy arranjar alguém que ele conhecesse em Phoenix para ficar vigiando Joseph assim como Sheila estava me vigiando. Simplesmente indiquei que fosse um homem e passei uma lista relativamente pequena de situações nas quais ele deveria interferir.
“Aonde Cary foi?”
“Ao cassino. Arrumei umas fichas para ele.”
“Não está na hora de ir embora?”
Ele foi reduzindo lentamente a distância entre nós. Havia um perigo inerente àquela maneira como ele se aproximava. Era algo visível na posição de seus ombros e no brilho de seus olhos. Eu até ficaria mais preocupada se a sinuosidade do seu andar não sugerisse uma atmosfera tão abertamente sexual. “Você está menstruada?”
Fiz que sim com a cabeça.
“Então vou ter que gozar na sua boca.”
Minhas sobrancelhas se ergueram. “Ah, é?”
“É.” Ele sorriu. “Não se preocupe, meu anjo. Cuido de você primeiro.”
Ele me pegou no colo, levou-me até o quarto e me jogou na cama. Quando consegui respirar, sua boca já estava cobrindo a minha em um beijo profundo e sedento. Fui arrebatada por sua paixão e pela sensação gostosa de seu peso me prensando no colchão. Ele cheirava tão bem. Sua pele era tão quente.
“Senti sua falta”, murmurei, abraçando-o com os braços e as pernas.
“Apesar de você ser bem irritante às vezes.”
Joseph grunhiu. “Você é a mulher mais enervante e provocadora que já conheci.”
“Bom, é que você me deixou muito brava. Não sou propriedade sua. Você não pode...”
“Você é, sim.” Ele mordeu a ponta da minha orelha, causando uma dor que me fez gritar. “E eu posso, sim.”
“Então você também é. E eu também posso.”
“Isso você já demonstrou. Faz ideia de como é difícil fechar um negócio quando a outra parte é obrigada a manter uma distância de pelo menos um metro?”
Gelei, porque a regra da distância mínima de um metro se aplicava apenas a mulheres. “Por que a outra parte precisaria ficar tão perto de você?”
“Para apontar coisas importantes na planta que estava aberta em cima da mesa e para entrar no foco da câmera para uma teleconferência... duas coisas que você dificultou bastante.” Ele ergueu a cabeça e me encarou. “Eu estava trabalhando.
Você estava se divertindo.”
“Não importa. Se pode fazer isso, eu também posso.” E fiquei bem contente com o fato de Joseph ter achado tudo aquilo inconveniente, assim como eu.
Ele agarrou a parte de trás da minha coxa e abriu ainda mais minhas pernas.
“Nossa relação não pode funcionar em pé de igualdade.”
“Claro que pode.”
Ele se posicionou entre as minhas pernas e começou a remexer os quadris, esfregando toda a extensão de sua ereção contra mim. “Não mesmo”, ele repetiu, agarrando meus cabelos para me manter imóvel.
Com seus movimentos, ele massageava meu clitóris hipersensível. A costura de sua calça estava no lugar perfeito para estimular ainda mais meu desejo por ele, que fazia meu sangue ferver. “Pare com isso. Não consigo pensar em mais nada com você fazendo isso.”
“É só não pensar. Apenas ouça, Demetria. Minha posição e meu patrimônio fazem de mim um alvo. Você entende o que isso quer dizer, sabe o que significa conviver com o dinheiro e a atenção que atrai.”
“Aquele cara no bar não era uma ameaça a você.”
“Isso é discutível.”
A irritação tomou conta de mim. Essa falta de confiança me deixava
maluca, especialmente quando vinda de uma pessoa que guardava tantos segredos.
“Sai de cima de mim.”
“Estou muito bem aqui.” Ele mexeu de novo os quadris, esfregando-se em mim.
“Estou brava com você.”
“Percebi.” Ele não parava de se mexer. “Mas vai gozar mesmo assim.”
Empurrei os quadris dele, mas Joseph era pesado demais. “Quando estou brava não consigo!”
“Então prove.”
Ele era muito convencido, o que fez minha raiva aumentar ainda mais.
Como não conseguia virar a cabeça, fechei os olhos. Ele não se abalou e continuou se esfregando em mim. A presença de roupas entre nós e a ausência de penetração me fez reparar ainda mais na fluidez elegante de seus movimentos.
Aquele homem sabia trepar.
Joseph não se limitava a pôr o pau para fora e enfiar numa mulher. Ele sabia usá-lo por inteiro, explorando a sensação de atrito, experimentando diferentes ângulos, alternando a profundidade da penetração. As nuances de suas habilidades eram visíveis até mesmo quando eu estava debaixo dele, preocupada apenas com as sensações que despertava em mim. Mas, naquele momento, tudo aquilo era mais que visível.
Lutei contra o prazer, mas não consegui conter um gemido.
“Isso, meu anjo”, ele murmurou. “Está vendo como estou por sua causa?
Está vendo o que você faz comigo?”
“Não use o sexo para me castigar”, reclamei, afundando os calcanhares no colchão.
Ele parou por um momento, depois começou a lamber meu pescoço, ondulando mo corpo como se estivesse me comendo através das roupas. “Não estou bravo, meu anjo.”
“Que seja. Você está querendo me manipular.”
“E você está me deixando louco. Sabe o que aconteceu quando me dei conta do que você tinha feito?”
Estreitei os olhos e o encarei. “O quê?”
“Fiquei de pau duro.”
Meus olhos se arregalaram.
“E em público, com todas as inconveniências possíveis.” Ele agarrou um dos meus seios, passando o polegar no meu mamilo endurecido. “Precisei esticar uma conversa que já estava encerrada enquanto me acalmava. Fico excitado quando você me desafia, Demetria.” Sua voz se tornou mais grave e mais rouca, exalando sexo e pecado. “Fico com vontade de comer você. E depois comer de novo, de novo e de novo.”
“Ai, meu Deus.” Meus quadris se ergueram, e eu senti meu ventre se contrair de vontade de gozar.
“E, como não posso”, ele murmurou, “vou fazer você gozar assim, e depois você vai Soltei um gemido, com água na boca diante da perspectiva de fazer aquilo por ele. Ficávamos sempre em sintonia na hora de fazer amor. O único momento me fazer gozar com a sua boca.”
em que ele se esquecia de mim e se concentrava somente no próprio prazer era quando eu o chupava.
“Isso mesmo”, ele sussurrou, “continue esfregando a bocetinha assim em mim. Porra, como você é gostosa...”
“Joseph.” Minhas mãos percorriam suas costas e suas nádegas contraídas.
Meu corpo se arqueava todo na direção dele. Gozei com um gemido bem longo, e a tensão entre nós se tornou alívio.
Joseph cobriu minha boca com a dele, saboreando os ruídos que eu fazia sob seu corpo. Agarrei seus cabelos e retribuí o beijo.
Joseph se virou para ficar debaixo de mim e abriu a braguilha da calça.
“Agora, Demetria.”
Fui deslizando pela cama, tão ansiosa quanto ele para senti-lo em minha boca. Assim que tirou a cueca, peguei seu pênis com as mãos e o abocanhei.
Soltando um gemido, Joseph apanhou um travesseiro e posicionou sob a cabeça. Quando seu olhar se encontrou com o meu, fui ainda mais fundo com a boca.
“Isso”, ele sibilou, enroscando os dedos nos meus cabelos. “Chupa bem forte e bem rápido. Quero gozar.”
Senti seu sabor e a delicadeza da sua carne quente na minha boca. Depois fiz o que ele mandou.
Sugando o ar das bochechas, eu o engoli até a garganta, depois voltei até lá em cima. E de novo, e de novo, concentrando-me na sucção e na velocidade, já que ele estava louco para gozar, e incentivada por seus gemidos e seus dedos que se contorciam agarrando as cobertas. Seus lábios estavam cerrados, sua mão ditava meu ritmo.
“Nossa.” Ele me observava com os olhos obscurecidos de prazer. “Adoro quando você me chupa. Como se estivesse sedenta por mim.”
E eu estava. Mais do que imaginava ser capaz. O prazer dele significava muito para mim, porque era autêntico e irrefreável. Para Joseph, o sexo sempre havia sido algo ensaiado e metódico. Ele não conseguia se segurar porque seu desejo por mim ia além da razão. Dois dias sem mim e ele já estava se sentindo... incompleto.
Eu o masturbava com a mão, sentindo suas veias grossas pulsando sob a pele macia. Um som crispado escapou de sua garganta e eu senti um líquido salgado se espalhar por minha língua. Ele estava quase lá, com o rosto todo vermelho, os lábios entreabertos e a respiração ofegante. Suor brotava da minha testa. Minha excitação crescia junto com a dele. Ele estava totalmente à minha mercê, com a cabeça voltada unicamente para a necessidade do clímax, murmurando palavras sujas e sensuais sobre o que faria na próxima vez que trepássemos.
“Isso, meu anjo. Isso... me faz gozar.” Suas costas se arquearam e seus pulmões se inflaram. “Caralho.
Sua gozada foi como a minha — intensa e brutal. O sêmen jorrou em um jato grosso e quente que eu tive de me esforçar para dar conta de engolir. Ele disse meu nome em um grunhido, empurrando os quadris na direção da minha boca, conseguindo o que queria de mim, esvaziando-se completamente.
Depois ele se curvou na minha direção e me puxou num abraço bem apertado junto ao peito ofegante. Ficamos abraçados durante um bom tempo. Ouvi seu coração desacelerar aos poucos e voltar ao ritmo normal.
Enfim ele disse alguma coisa, com a boca colada aos meus cabelos. “Obrigado.
Eu estava precisando.”
Sorri e o apertei mais um pouco. “O prazer foi todo meu, garotão.”
“Senti sua falta”, ele disse baixinho, com os lábios grudados na minha testa. “Senti demais. E não só por causa disso.”
“Eu sei.” Precisávamos daquilo — da proximidade física, do frenesi do toque, da exaltação do orgasmo — para liberar uma parte das emoções arrebatadoras que tomavam conta de nós quando estávamos juntos. “Meu pai vai me visitar em Nova York na semana que vem.”
Joseph ficou paralisado. Levantando a cabeça, ele me lançou um olhar irônico. “E você me conta isso enquanto ainda estou com o pau pra fora?”
Dei risada. “Peguei você desprevenido, hein?”
“Porra.” Ele me deu um beijo na testa e começou a ajeitar a roupa. “Você já sabe como vai me apresentar? Em casa ou num restaurante? Na sua casa ou na minha?”
“Na minha, e eu cozinho.” Estiquei-me e comecei a alisar minha blusa com a mão.
Ele concordou, mas seu humor mudou. Meu amante satisfeito e feliz de alguns momentos antes fora substituído pelo homem sério que sempre marcava presença ultimamente.
“Você prefere outra coisa?”, perguntei.
“Não. É uma ideia boa. Ele vai se sentir mais confortável na sua casa. Eu faria o mesmo.”
“Sério?”
“Sim.” Ele apoiou a cabeça em uma das mãos e me olhou, tirando meus cabelos da frente do rosto. “É melhor não ficar ostentando minha riqueza se pudermos evitar.”
Respirei fundo. “Nem pensei nisso. Só achei que ficaria menos tensa
fazendo bagunça na minha cozinha do que na sua. Mas você tem razão. E vai dar tudo certo, Joseph. Quando ele perceber o que você sente por mim, vai aprovar nosso relacionamento.”
“Isso só me interessa se for capaz de interferir no que você sente por mim.
Se ele não gostar de mim e isso mudar as coisas entre nós...”
“Isso só depende de você.”
Ele acenou com a cabeça, o que não aliviou muito minha preocupação com o que estava sentindo. Muitos homens ficam nervosos ao conhecer os pais da namorada, mas Joseph não era esse tipo de pessoa. Ele não se abalava. Na maioria das vezes. Queria que ele e meu pai ficassem tranquilos e à vontade um com o outro, sem nenhuma tensão ou animosidade.
Resolvi mudar de assunto. “Deu tudo certo lá em Phoenix?”
“Sim. Uma das gerentes do projeto percebeu algumas anomalias nas contas, e fez bem em me chamar pra analisar melhor a situação. Gente corrupta é uma coisa que não tolero.”
Estremeci, lembrando-me do pai de Joseph, que sumira com milhões de dólares de seus investidores antes de se matar. “E qual é o projeto?”
“Um resort com campo de golfe.”
“Casas noturnas, resorts, condomínios de luxo, vodca, cassinos... e uma rede de academias de ginásticas pra manter o pique?” Pelo site das Indústrias Jonas eu sabia que Joseph também era dono de empresas de software e games, além de uma rede social para jovens profissionais de grandes centros urbanos.
“Você é um deus do prazer em vários sentidos, então.”
“Deus do prazer?” Sua expressão parecia bem-humorada. “Gasto toda a minha energia idolatrando você.”
“Como foi que você ficou tão rico?”, provoquei, instigada pela lembrança das insinuações de Cary sobre Joseph ter acumulado tanto dinheiro com tão pouca idade.
“As pessoas gostam de se divertir, e não economizam nisso.”
“Não foi isso que eu quis dizer. Como surgiram as Indústrias Jonas? De onde veio o capital pra começar tudo?”
Seus olhos brilharam de curiosidade. “Como acha que eu consegui esse dinheiro?”
“Não faço a menor ideia”, respondi com toda a sinceridade.
“Blackjack.”
Pisquei, confusa. “Na mesa de jogo? Está de brincadeira comigo?”
“Não.” Ele deu risada e me abraçou mais forte.
Eu não conseguia imaginar Joseph como um jogador. Graças ao segundo marido da minha mãe, eu sabia muito bem que a jogatina era um vício terrível e insidioso que levava à total falta de autocontrole. Uma pessoa tão contida quanto Joseph jamais sentiria atração por algo que dependesse tanto do acaso e da sorte.
Foi quando entendi tudo. “Você conta as cartas...”
“Contava”, ele admitiu. “Agora não jogo mais. E os contatos que fiz na mesa foram tão importantes quanto o dinheiro.”
Tentei digerir aquela informação, lidar com ela, e depois amenizar um pouco as coisas. “Me lembre de nunca jogar baralho com você.”
“Strip poker pode ser divertido...”
“Pra você.”
Ele foi descendo uma das mãos e apertou minha bunda. “E pra você também. Você sabe como eu fico quando tira a roupa.”
Dei uma olhada de relance para meu corpo totalmente vestido. “E quando não tiro também.”
Joseph abriu um sorriso malicioso, sem o menor pudor.
“Você ainda aposta?”
“Todos os dias. Mas só nos negócios e com você.”
“Comigo? Com nossa relação?”

Seu olhar se encheu de ternura e me provocou um nó na garganta. “Você é o maior risco que já assumi.” Ele me beijou de leve na boca. “E o maior prêmio que já ganhei.”
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Está ai mas um, gente sigam e comentem muito.bjs

terça-feira, 15 de julho de 2014

Capítulo 11

A gerente do hotel abriu as portas duplas da nossa suíte, e Cary deu um longo assobio.
“Aí, sim”, ele disse, puxando-me para dentro pelo cotovelo. “Olha só o tamanho deste quarto. Dá até pra fazer um solo ginástica artística aqui dentro.”
Ele tinha razão, mas eu teria que esperar até a manhã seguinte se quisesse tentar. Minhas pernas ainda estavam trêmulas depois de minha primeira trepada a bordo de um avião voando.
Uma vista maravilhosa da vida noturna de Las Vegas se oferecia aos nossos olhos. As janelas iam do chão ao teto, inclusive num canto adornado por um piano.
“Suítes pra milionários sempre têm um piano?”, perguntou Cary, abrindo a tampa e ensaiando uma melodia.
Dei de ombros e procurei pela gerente, que não estava mais lá. O carpete branco tinha abafado o ruído de seus saltos altos. A suíte era decorada num estilo Hollywood dos anos cinquenta. A lareira tinha um revestimento de pedra
rústica e era adornada com uma obra de arte que parecia uma calota de carro com raios futuristas emergindo a partir do centro. Os sofás eram verdes com pés de madeira tão finos quanto os saltos da gerente. A atmosfera retrô envolvia todo o ambiente, ao mesmo tempo glamouroso e acolhedor.
Um exagero, na verdade. Eu até esperava ficar em um ótimo quarto, mas não na suíte presidencial. Só não pedi para trocar porque Cary me presenteou com um sorriso aberto e dois polegares para cima. Eu não tinha coragem de
acabar com a alegria dele, então aceitei e me limitei a torcer para que Joseph não estivesse perdendo dinheiro ao nos colocar ali.
“Ainda está a fim de um hambúrguer?”, perguntei, apanhando o cardápio do serviço de quarto em uma mesinha atrás do sofá.
“E uma cerveja. Ou melhor, duas.”
Cary seguiu a gerente até o quarto que ficava à esquerda da área de convivência.
Peguei o telefone vintage para fazer o pedido.
Trinta minutos mais tarde, depois de me refrescar com um banho rápido e vestir o pijama, eu estava sentada no tapete comendo fettuccine Alfredo com frango. Cary devorava seu sanduíche do outro lado da mesinha de centro e me olhava com a felicidade estampada no rosto.
“Você nunca come tanto carboidrato assim à noite”, ele comentou entre uma mordida e outra.
“Está para me descer.”
“Tenho certeza de que a malhação da viagem também ajudou.”
Estreitei os olhos. “Como é que você sabe? Você estava desmaiado.”
“Mera suposição, gata. Quando fui dormir, você estava uma pilha de nervos. Quando acordei, parecia que tinha fumado um baseado.”
“E Joseph, como estava?”
“O mesmo de sempre... Todo careta, mas absurdamente gostoso.”
Dei uma garfada no macarrão. “Isso não é justo.”
“Quem se importa?” Ele chamou a atenção para o ambiente ao nosso redor. “Olha só onde ele pôs a gente.”
“Não preciso que ninguém pague minhas contas, Cary.”
Ele mordeu uma batata frita. “E do que você precisa, aliás? Tem toda a atenção dele, aquele corpão à disposição, acesso a tudo o que ele tem. Não é pouca coisa.”
“Não mesmo”, concordei, enrolando o macarrão com o garfo. Pela experiência de ter observado minha mãe a vida toda, eu sabia que o mais importante quando se tratava de homens poderosos era conseguir sua atenção. “Mas também
não é suficiente.”
“Isso é que é vida”, decretou Cary, deitado como um deus em uma espreguiçadeira ao lado da piscina. Ele estava usando um calção verde-claro e óculos escuros, e atraiu um número enorme de mulheres para perto da água. “Só estou
sentindo falta de um mojito. Não existe comemoração sem um pouco de álcool.”
Sorri. Eu estava tomando sol na espreguiçadeira ao lado, curtindo o calor e as gotas d’água que de quando em quando nos atingiam. Cary gostava de comemorar tudo, uma característica que eu considerava das mais charmosas. “E
o que estamos comemorando?”
“A chegada do verão.”
“Muito bem, então.” Sentei, pus as pernas para fora da espreguiçadeira e amarrei a canga na cintura antes de levantar. Meus cabelos estavam presos no
alto da cabeça com uma fivela, ainda úmidos do mergulho na piscina. O sol quente na pele dava uma sensação agradável, um beijo sensual que diminuía o desconforto da retenção de líquido — cortesia do período pré-menstrual.
Fui até o bar da piscina, percorrendo com os olhos as espreguiçadeiras e os guarda-sóis por trás das lentes roxas dos meus óculos escuros. O local estava apinhado de hóspedes, muitos deles atraentes o bastante para merecer um segundo e um terceiro olhar. Um casal em particular chamou minha atenção. Eles se pareciam comigo e com Joseph. A loira estava deitada, com o tronco apoiado
nos braços e mexendo as pernas sem parar. Seu acompanhante, lindo, estava deitado ao lado, com a cabeça apoiada em uma das mãos enquanto a outra percorria
as costas dela.
Ela me surpreendeu olhando para eles, e o sorriso imediatamente desapareceu de seu rosto. Era impossível ver seus olhos por trás das lentes dos óculos escuros, mas com certeza estavam me encarando. Dei um sorrisinho e virei
para o outro lado, sabendo exatamente como ela se sentia ao pegar outra mulher admirando seu namorado.
Encontrei uma brechinha no balcão do bar e fiz um sinal para chamar o atendente. Ventiladores de teto refrescavam o ambiente, o que me fez querer esperar sentada quando um dos banquinhos vagou.
“O que você vai pedir?”
Virei a cabeça e olhei para o homem que havia falado comigo. “Ainda não sei, mas estou pensando em um mojito.”
“É por minha conta.” Ele sorriu, revelando seus dentes impecavelmente brancos, mas meio tortos. Estendeu a mão para mim, num movimento que atraiu minha atenção para seus braços bem torneados. “Daniel.”
Eu o cumprimentei. “Demetria. Prazer.”
Ele cruzou os braços sobre o balcão e se apoiou sobre eles. “O que traz você a Las Vegas? Trabalho ou lazer?”
“Vim descansar um pouco. E você?” Daniel tinha uma tatuagem interessante, uma inscrição em língua estrangeira no braço direito, na altura do bíceps.
Ele não era bonito nos termos tradicionais, mas era confiante e educado, algo que eu admirava mais em um homem do que suas características físicas.
“Estou aqui a trabalho.”
Olhei para seu calção de banho e comentei: “Acho que escolhi o emprego errado”.
“Sou vendedor de...”
“Com licença.”
Ambos nos viramos para ver quem estava interrompendo nossa conversa.
Era uma morena baixinha vestida com uma polo escura com seu nome, Sheila,bordado logo abaixo da logomarca do Hotel e Cassino Jonas. O fone no ouvido e os equipamentos que carregava no cinto denunciavam que era da equipe de segurança.
“Senhorita Lovato.” Ela me cumprimentou com um aceno de cabeça. Fiz uma expressão de surpresa. “Sim?”
“Um garçom pode anotar seu pedido e levá-lo diretamente até seu guardasol.”
“Legal, obrigada. Mas não ligo de esperar aqui.”
Vendo que eu não me movia, Sheila se virou para Daniel. “Se o senhor quiser esperar na outra ponta do balcão, seus próximos drinques serão por conta da casa.”
Ele sacudiu a cabeça, depois sorriu para mim. “Vou ficar por aqui mesmo, obrigado.”
“Sinto muito, mas vou ser obrigada a insistir.”
“Como assim?” Seu sorriso se transformou em uma expressão de indignação.
“Por quê?”
Incrédula, fiquei olhando para Sheila sem entender nada até me dar conta do que estava acontecendo. Joseph tinha mandado que me vigiassem. Ele achava que podia controlar meus passos mesmo à distância.
Sheila me encarou de volta, com uma expressão impassível. “Vou acompanhá-la de volta até seu guarda-sol, senhorita Lovato.”
Por um instante, pensei em transformar o dia dela num inferno, talvez até agarrando Daniel e dando um beijo na boca dele só para ensinar uma lição ao meu namorado possessivo, mas consegui me controlar. Ela só estava cumprindo ordens. Era o patrão dela que precisava repensar suas atitudes.
“Desculpe, Daniel”, eu disse, vermelha de vergonha. Estava me sentindo como uma criança que é surpreendida fazendo alguma coisa errada, e aquilo realmente me irritou. “Foi legal conhecer você.”
Ele encolheu os ombros. “Se mudar de ideia...”
Senti a presença de Sheila atrás de mim enquanto voltava para a espreguiçadeira.
De repente, resolvi me virar para encará-la. “Você precisa intervir só quando alguém vier falar comigo ou existe uma lista de situações pré-definidas?”
Ela hesitou por um instante, depois soltou um suspiro. Nem imagino o que devia pensar de mim — a loirinha bonitinha que era tão pouco confiável que não podia nem conversar com ninguém. “Tenho uma série de instruções.”
“Imaginei.” Joseph não deixaria passar nada. Fiquei pensando quando ele tinha elaborado aquelas instruções, se havia pensado em tudo logo depois de combinarmos que eu iria a Las Vegas ou a lista estava pronta de antemão. E se já
tinha feito aquilo com outra mulher. Com Corinne, quem sabe.
Quanto mais eu pensava a respeito, mais irritada ficava.
“É inacreditável”, queixei-me com Cary quando ela se afastou e se manteve a certa distância, como se isso fosse capaz de me fazer esquecer que estava sendo vigiada. “Agora tenho uma babá.”
“Quê?”
Contei a ele o que tinha acontecido e o vi cerrar os dentes.
“Isso é loucura, Demetria.”
“Não me diga. Eu é que não vou aturar esse desaforo. Joseph precisa aprender que as coisas em um relacionamento não podem funcionar dessa
maneira. Depois de falar tudo aquilo sobre confiança...” Desabei na espreguiçadeira.
“Você acha que ele confia em mim, se precisa mandar alguém me vigiar e não deixar ninguém nem chegar perto?”
“Não concordo com isso, Demetria.” Ele sentou e pôs os pés para fora da espreguiçadeira.
“Não é certo.”
“E você acha que eu não sei? E por que ele escolheu uma mulher para fazer isso? Não tenho nada contra mulheres seguranças. Só estou me perguntando se Joseph mandou que ela vá comigo até ao banheiro ou se só não quer que um
homem chegue perto de mim nem para me vigiar.”
“Está falando sério? Por que você não levanta daí, liga para ele e diz umas poucas e boas?”
A noção de que eu estava sendo feita de palhaça se estabeleceu de vez na minha cabeça. “Estou tramando minha vingança.”
“Ah, é?” Ele abriu um sorriso malicioso. “Conta mais.”
Apanhei meu celular na mesinha com tampo decorado que havia entre nós e procurei nos meus contatos até encontrar o nome de Benjamin Clancy — o
guarda-costas do meu padrasto.
“Oi, Clancy. É Demetria”, eu disse depois que ele atendeu ao primeiro toque.
Cary arregalou os olhos por trás dos óculos escuros. “Ah...”
Fiquei de pé e disse bem baixinho: “Vou subir”.
Ele acenou com a cabeça. “Está tudo bem”, eu disse em resposta à pergunta de Clancy. Esperei até chegar ao lado de dentro do hotel, a uma boa distância de Sheila. “Só queria pedir um favorzinho a você.”
Assim que desliguei, recebi outra chamada. Sorri ao ver quem estava ligando e atendi com o maior entusiasmo: “Oi, pai!”.
Ele riu. “Como está minha garotinha?”
“Arrumando confusão e achando isso o máximo.” Estendi a minha canga sobre uma poltrona e sentei. “E você?”
“Evitando confusão e nem sempre achando isso o máximo.”
Victor Reyes trabalhava como policial em Oceanside, na Califórnia, motivo pelo qual eu tinha decidido estudar na San Diego State University. Minha mãe estava passando por uma fase difícil com seu terceiro marido, e eu andava meio rebelde, arruinando minha vida para tentar esquecer o que Nathan havia feito comigo.
Sair de debaixo das asas sufocantes da minha mãe foi uma das melhores decisões que tomei na vida. O amor incondicional do meu pai por mim, sua única filha, fez tudo tomar outro rumo. Ele me deu a liberdade de que eu tanto precisava — com limites muito bem estabelecidos — e me indicou o dr. Travis como terapeuta, o que serviu como pontapé inicial tanto da minha longa jornada de recuperação como de minha amizade com Cary.
“Estou com saudades”, eu disse. Por mais que amasse minha mãe, meu porto seguro era meu pai, e lidar com ele era muito mais fácil.
“Acho que você vai ficar contente com o que tenho para dizer. Posso ir para Nova York daqui a duas semanas, se não for te atrapalhar.”
“Minha nossa, pai. Você nunca me atrapalharia. Vou adorar te ver!”
“Tem que ser uma visita bem curta. Chego na quinta de madrugada e volto domingo à noite.”
“Estou muito feliz! Que legal! Vou me programar. A gente vai se divertir bastante.”
A risada suave do meu pai fez uma sensação de conforto se espalhar por meu corpo. “Quero visitar você, não Nova York. Não precisa fazer uma programação turística nem nada do tipo.”
“Não se preocupe. Vai sobrar bastante tempo pra gente. E você vai poder conhecer Joseph.” Só de pensar nos dois juntos já senti um frio na barriga.
“Joseph Jonas? Você me disse que não tinha nada com ele.”
“Pois é.” Franzi o nariz. “A gente estava brigado naquele dia. Pensei que estivesse tudo acabado.”
Ele ficou um tempo em silêncio. “Está falando sério?”
Fiz uma pausa também, remexendo-me na poltrona. Meu pai era muito observador. Ele logo notaria a tensão que havia entre mim e Joseph — inclusive a sexual. “Estou. Não é uma relação das mais fáceis. Mas eu não sou uma pessoa
das mais fáceis. As coisas estão meio complicadas, mas a gente está se esforçando para dar certo.”
“Ele gosta de você, Demetria?” O tom de voz do meu pai era incisivo e para lá de sério. “Não interessa quanto dinheiro o cara tem. Ele não é melhor do que você.”
“Não é nada disso!” Olhei para meus dedos dos pés recém-pintados e percebi que esse encontro envolveria muito mais do que um pai ciumento sendo apresentado ao novo namorado da filha. Meu pai tinha uma implicância com homens ricos, graças à minha mãe. “Você vai entender tudo quando o conhecer.”
“Sei”, ele comentou com a voz carregada de ceticismo.
“É sério, pai.” Eu não podia culpá-lo por estar preocupado, já que havia sido minha própria tendência autodestrutiva de me envolver com indivíduos que não me faziam nada bem que o levara a me indicar o dr. Travis. Meu pai tinha
ficado especialmente incomodado com o vocalista de uma banda para quem eu não passava de uma groupie e com um tatuador que flagrou sendo chupado enquanto dirigia — e não por mim. “Com Joseph é diferente. Ele me entende.”
“Estou disposto a dar uma chance a ele, está bom assim? Mando as informações sobre meu voo assim que comprar a passagem. De resto está tudo bem?”
“A gente vai ter que fazer anúncios de café com sabor de blueberry.”
Ele fez outra pausa. “Você está brincando.”
Dei risada. “Bem que gostaria. A gente vai ter que se virar pra vender aquela coisa! Vou levar um pouquinho pra casa, pra você experimentar.”
“Pensei que você me amasse.”
“De todo o coração. E sua vida amorosa, como anda? Seu encontro foi legal?”
“É... não foi ruim.”
Dando uma risadinha irônica, perguntei: “E você vai sair com ela de novo?”.
“A ideia é essa.”
“Que bom que você me conta tudo em detalhes, pai.”
Ele riu de novo, e eu ouvi o barulho de sua poltrona preferida rangendo enquanto ele se mexia. “Você não vai querer saber detalhes da vida amorosa do seu
pai...”
“É verdade.” Embora eu às vezes me perguntasse sobre como teria sido o relacionamento dele com minha mãe. Meu pai era o latino bonitão da periferia,
enquanto minha mãe era a loiraça das colunas sociais que só pensava em dinheiro.
A atração entre eles devia ter sido irresistível.
Conversamos mais um pouco, empolgados com a perspectiva de nos vermos de novo. Eu não queria que nossa relação se tornasse distante depois de me
mudar para Nova York, por isso fazia questão que nos falássemos por telefone todo sábado. A ideia da visita dele aplacava um pouco essa preocupação.
Quando desliguei, Cary entrou, trazendo consigo toda a sua aura de modelo.
“Ainda está tramando sua vingança?”, ele perguntou.
Eu me levantei. “Está tudo acertado. Era meu pai. Ele vai pra Nova York na semana que vem.”
“Sério? Que legal. Victor é o máximo.”
Fomos até a cozinha da suíte e pegamos duas cervejas na geladeira. Eu já tinha percebido que os produtos ali eram os mesmos que havia na minha casa.
Imaginei se Joseph era mesmo um bom observador ou se tinha conseguido essa informação de outra maneira — fuçando meus recibos, por exemplo. Seria um
comportamento típico dele. Reconhecer os limites da minha privacidade não era seu forte, e mandar seguranças me vigiarem era só mais uma prova disso.
“Quando foi a última vez que seus pais estiveram no mesmo fuso horário?”, perguntou Cary, abrindo as cervejas. “Pra não dizer na mesma cidade.”
Nossa... “Sei lá. Antes de eu nascer?” Dei um longo gole na minha cerveja.
“Um encontro está definitivamente fora dos meus planos.”
“Um brinde aos planos inteligentes.” Batemos de leve as duas garrafas.
“Por falar nisso, eu ia dar uma rapidinha com uma garota que conheci na piscina, mas em vez disso vim para cá. Lembrei que o plano era passarmos um tempo juntos.”
“Fico lisonjeada”, comentei, irônica. “Eu estava pensando em descer.”
“Está muito calor lá fora. Esse sol é de matar.”
“O sol aqui é o mesmo de Nova York.”
“Engraçadinha.” Seus olhos verdes brilharam. “Que tal a gente tomar um banho e sair pra almoçar? Eu pago.”
“Claro. Mas a tal da Sheila vai querer ir junto.”
“Foda-se ela. E o chefe dela também. Por que esses ricaços são sempre assim tão controladores?”
“Eles ficam ricos exatamente porque querem controlar tudo.”
“Que seja. Prefiro nosso tipo de loucura... Pelo menos nós não estragamos a vida de mais ninguém além da nossa.” Ele se inclinou sobre o balcão com os braços cruzados na frente do peito. “Você vai tolerar toda essa palhaçada mesmo?”
“Depende.”
“Do quê?”

Sorri e tomei o caminho do meu quarto. “Vá se trocar. Conto tudo no almoço.”
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 Desculpa a demora gente kkkk tive umas coisas para resolver, maaaaaaaaaaaaaaaas ta aí o capítulo kkk,bjs

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Capítulo 10 [5/5]

“Pra uma máquina mortífera”, comentou Cary, “até que isto daqui é bem
chique.”
Sacudi a cabeça ao entrar na cabine de passageiros do jatinho particular de
Joseph. “Você não vai morrer. É mais seguro viajar de avião do que de carro.”
“E quem você acha que paga por essas estatísticas? As companhias aéreas,
é claro.”
Depois de dar um beijo sorridente no ombro de Cary, percorri com os olhos
o interior absurdamente opulento daquela aeronave, que me deixou mais do
que impressionada. Eu já tinha viajado em jatinhos particulares antes, mas,
como sempre, Joseph estava em um patamar que era para pouquíssimos.
A cabine era espaçosa e tinha um corredor central bem largo. A paleta de
cores era neutra, com toques de marrom e azul. Do lado esquerdo, havia poltronas
giratórias com mesas, enquanto do lado direito ficava um sofá. Cada assento
contava com seu próprio console de entretenimento. Com base no que já tinha
visto, deveria haver um quarto na parte traseira do avião, e um ou dois banheiros
luxuosos.
Um comissário pegou minha mala e a de Cary, e então sinalizou para que
sentássemos em uma das poltronas com mesa. “O senhor Josephs deve chegar em
alguns minutos”, ele informou. “Enquanto isso, aceitam uma bebida?”
“Uma água, por favor.” Olhei para o relógio. Eram mais de sete e meia.
“Um bloody mary”, pediu Cary. “Se tiver.”
O comissário sorriu. “Temos de tudo.”
Cary me pegou olhando para ele. “Que foi? Eu ainda não jantei. O suco de
tomate vai enganar meu estômago até a hora de comer, e o álcool vai ajudar o
dramin a bater mais rápido.”
“Não abri minha boca.”
Ao olhar pela janela para contemplar o céu noturno, meus pensamentos,
como sempre, se voltaram para Joseph. Ele havia ficado a maior parte do dia
calado. O trajeto até o trabalho fora feito em silêncio, e às cinco horas ele havia
me ligado apenas para dizer que Angus me levaria para casa e depois até o aeroporto,
onde ele nos encontraria.
Preferi ir andando para casa, já que havia faltado na academia na noite anterior
e não teria tempo para me exercitar antes da viagem. Angus fez questão de
dizer que Joseph não gostaria da ideia, apesar de minha recusa educada e de
minhas razões para tanto. Talvez Angus achasse que eu ainda estava chateada
pelo fato de ele ter dado carona para Corinne, o que não deixava de ser verdade.
Para minha própria decepção, uma parte de mim torcia para que ele estivesse se
sentindo mal por isso. Felizmente, a outra parte estava morrendo de raiva de
mim mesma por ser tão mesquinha.
Enquanto caminhava pelo Central Park, por um caminho sinuoso entre
árvores imensas, decidi que não abriria mão do meu bem-estar por homem nenhum.
Nem mesmo Joseph. Eu não deixaria minha frustração com ele atrapalhar
a diversão de um fim de semana em Las Vegas com meu melhor amigo.
Na metade do caminho de casa, parei e me virei para olhar a cobertura de
Joseph na Quinta Avenida. Eu me perguntei se ele estava lá, arrumando a mala
e se preparando para um fim de semana sem mim. Ou se ainda estava no trabalho,
resolvendo as últimas pendências de uma semana movimentada;
“Ih”, comentou Cary quando o comissário voltava com nossas bebidas em
uma bandeja. “Você está com uma cara...”
“Que cara?”
“De quem está incomodada.” Cary bateu de leve seu copo no meu. “Quer
conversar a respeito?”
Quando eu ia responder, Joseph apareceu. Ele estava com uma expressão
séria e carregava uma pasta em uma das mãos e uma mala de viagem na outra.
Entregou a mala para o comissário, parou entre mim e Cary, fez um aceno de
cabeça para ele e passou a mão de leve no meu rosto. Aquele toque se espalhou
pelo meu corpo como uma onda de eletricidade. Depois disso Joseph foi para o
compartimento na parte traseira da aeronave e fechou a porta.
“Ele é tão temperamental”, reclamei.
“E muito gato. Esse terno...”
O terno não teria o mesmo efeito em outro homem. Joseph era capaz de
transformar um simples traje em uma arma mortal.
“Pare de desviar o foco pra beleza dele”, censurei.
“Vai lá chupar o pau dele. Isso levanta o astral de qualquer um.”
“Homens...”
“O que você esperava?” Cary pegou a garrafa gelada com o restante da
água que não havia cabido no copo de cristal. “Dá uma olhada nisso.” Ele me
mostrou o rótulo, que ostentava a logomarca do Hotel e Cassino Jonas. “É muito
chique!”
Dei um sorrisinho malicioso. “É para os tubarões.”
“Quê?”
“Os grandes apostadores. Jogadores que não pensam duas vezes em
apostar cem mil ou mais por rodada. Os cassinos têm uma porção de mimos pra
atrair esses caras. Jantares, suítes, jatinhos, e por aí vai. O segundo marido da
minha mãe era um tubarão. Essa foi uma das razões por que eles se separaram.”
Ele ficou me olhando e sacudindo a cabeça. “Você sabe cada coisa. Então
isto aqui é um jato corporativo?”
“É um deles. No total são cinco”, respondeu o comissário, trazendo uma
bandeja com queijos e frutas.
“Minha nossa”, murmurou Cary. “Ele tem uma esquadrilha inteira.”
Cary puxou uma cartela de dramin do bolso e engoliu os comprimidos
junto com o bloody mary.
“Quer um?”, ele perguntou, pondo a embalagem sobre a mesa.
“Não. Obrigada.”
“Você vai lá falar com o senhor Gostosão Nervosinho?”
“Acho que não. Prefiro ler alguma coisa.”
Trinta minutos depois, Cary estava roncando baixinho em sua poltrona
totalmente reclinável, usando abafadores de ruídos nas orelhas. Fiquei olhando
para ele por um tempo, contemplando a visão de seu relaxamento tranquilo, os
contornos de sua boca suavizados pela imobilidade do sono.
Então levantei e fui até o compartimento onde Joseph havia se fechado
pouco antes. Pensei em bater, mas mudei de ideia. Ele estava impondo barreiras
entre nós em todos os sentidos; aquela não seria mais uma.
Joseph voltou os olhos para mim quando entrei, não parecendo surpreso
com minha aparição. Estava sentado a uma escrivaninha, ouvindo uma mulher
com quem conversava por um vídeo via satélite. Seu paletó estava pendurado na
cadeira e sua gravata estava frouxa. Depois de uma rápida troca de olhares, ele
tornou a dedicar sua atenção à conversa.
Comecei a tirar a roupa.
Minha camiseta foi a primeira a ir embora, seguida pelas sandálias e o
jeans. A mulher continuava a falar, mencionando “preocupações” e “discrepâncias”,
mas os olhos de Joseph estavam voltados para mim — ávidos e desejosos.
“A gente fala sobre isso amanhã, Allison”, ele interrompeu, apertando um
botão no teclado que desligou a tela pouco antes de meu sutiã atingir sua cabeça.
“Sou eu que estou de TPM e é você que tem as oscilações de humor?”
Ele tirou meu sutiã do rosto e se recostou, apoiando os cotovelos nos
braços da cadeira e juntando os dedos de forma teatral. “E você está fazendo um
striptease pra melhorar meu humor?”
“Vocês homens são tão previsíveis. Cary sugeriu que eu chupasse seu pau
pra te deixar mais alegrinho. Mas não se empolgue, viu? Não vai acontecer.”
Agarrei o elástico da minha calcinha com os polegares e apoiei o peso do corpo
sobre os calcanhares. Tive que admitir que ele merecia certo crédito por estar olhando
para os meus olhos, não para os meus peitos. “Acho que você está me devendo
uma. De verdade. Tenho sido uma namorada muito compreensiva dadas
as circunstâncias, não?”
Ele ergueu uma sobrancelha.
“Queria saber o que você faria”, continuei, “se aparecesse no meu prédio e
visse um ex-namorado meu saindo de lá pondo a camisa pra dentro da calça. E
aí, quando você subisse, me encontrasse no banho, e o sofá da sala todo
bagunçado.”
Joseph cerrou os dentes. “Você não quer saber o que eu faria.”
“Então você precisa admitir que me comportei muito bem diante das circunstâncias.”
Cruzei os braços, consciente de que aquilo só ajudaria a realçar
meus atributos. “Você deixou bem claro que gostaria de me punir. Agora quero
saber o que vai fazer para me recompensar.”
“Sou eu quem vai escolher?”, ele provocou, com os olhos semicerrados.
Sorri. “Não.”
Ele pôs meu sutiã em cima do teclado e se levantou da cadeira de maneira
brincalhona e provocante. “Então essa é sua recompensa, meu anjo. O que você
quer?”
“Quero que você pare de dar uma de ranzinza, pra começo de conversa.”
“Ranzinza?” Ele contorceu a boca para esconder um sorriso. “Bom, acordei
e você não estava lá, e nos próximos dois dias vai ser assim também.”
Descruzei os braços e fui até ele, posicionando minhas mãos espalmadas
em seu peito largo. “É só isso mesmo?”
“Demetria.” Ele era um homem de uma força física admirável, mas ainda assim
era capaz de um toque reverente e delicado.
Abaixei a cabeça, sabendo que alguma coisa na minha voz havia deixado
tudo bem claro. Ele era bastante perceptivo.
Agarrando meu queixo com as duas mãos, Joseph puxou minha cabeça
para cima e olhou bem nos meus olhos. “Fale comigo.”
“Acho que você está se afastando de mim.”
Um rugido grave ressoou entre nós. “Ando com a cabeça bem cheia. Mas
isso não significa que não pense em você.”
“Estou sentindo alguma coisa, Joseph. Uma distância entre nós que não
existia.”
Suas mãos desceram para o meu pescoço. “Não existe distância nenhuma.
Sou totalmente seu, Demetria.” Ele apertou um pouco as mãos. “Você não consegue
sentir isso?”
Respirei bem fundo. Meu coração estava disparado, uma reação física a um
medo cuja fonte estava dentro de mim, não em Joseph, que com certeza jamais
me machucaria ou me colocaria em uma situação de perigo.
“Às vezes”, ele disse ofegante, observando-me com uma intensidade dolorosa,
“não consigo nem respirar.”
Eu teria fugido dali não fossem seus olhos, que revelavam um desejo e um
desespero impossíveis de conter. Ele estava me fazendo experimentar aquela
perda de controle, aquela sensação de me sentir dependente de outra pessoa.
O que fiz foi exatamente o contrário. Joguei a cabeça para trás e me entreguei,
sentindo arrepios de medo. Eu estava começando a entender meu
desejo de ceder todo o controle a Joseph, conforme ele mesmo já havia falado.
Ao fazer isso, alguma coisa dentro de mim se apaziguava, uma necessidade que
eu nem sabia que tinha.
Houve uma longa pausa, preenchida apenas por sua respiração. Senti que
ele estava tentando conter seus sentimentos, e me perguntei que sentimentos
eram aqueles, por que ele parecia estar tão dividido.
Joseph liberou a tensão expirando profundamente. “Do que você precisa,
Demetria?”
“De você... nas alturas.”
Ele deslizou as mãos até meus ombros e os apertou, depois acariciou meus
braços. Seus dedos se juntaram aos meus e ele colou sua testa à minha. “De onde
vem essa sua vontade de transar em veículos em movimento?”
“Quero você do jeito que for”, respondi, repetindo algo que certa vez ele
mesmo disse para mim. “E só vou poder fazer isso de novo no fim de semana
que vem, por causa do meu período menstrual.”
“Porra.”
“É agora ou nunca.”
Ele apanhou o paletó, enrolou-me nele e me levou para uma cabine
fechada.
Nossa.” Minhas mãos agarravam com força o lençol e minhas costas se
arqueavam enquanto Joseph mantinha meus quadris colados à cama e passava
a língua pelo meu clitóris. Minha pele estava coberta por uma fina camada de
suor e minha visão embaçou quando meu ventre se contraiu violentamente à espera do orgasmo. Minha pulsação estava acelerada, em compasso com o ruído
constante das turbinas do jato.
Eu já tinha gozado duas vezes, com a visão da sua cabeleira negra no meio
das minhas pernas aliada à sua língua perversamente habilidosa. Minha calcinha
tinha sido literalmente destruída, enquanto ele permanecia totalmente
vestido.
“Estou pronta.” Passei os dedos pelos cabelos dele, sentindo-os úmidos nas
raízes. Joseph estava lutando para se conter. Ele era sempre muito atencioso
comigo, esperava que eu estivesse bem quentinha e molhada antes de enfiar seu
pau enorme em mim.
“Sou eu quem vai dizer quando você está pronta.”
“Quero você dentro de mim...” O avião começou a balançar de repente, e
depois a descer, fazendo-me flutuar, tendo como único ponto de contato a boca
dele. “Joseph!
Estremeci toda com mais um orgasmo. Meu corpo se contorcia de vontade
de senti-lo dentro de mim. Apesar da pulsação acelerada rugindo no meu
ouvido, consegui escutar uma voz fazendo um anúncio pelo sistema de altofalantes,
mas não consegui registrar as palavras.
“Você está bem sensível agora.” Ele levantou a cabeça e passou a língua
pelos lábios. “Está gozando feito uma louca.”
Suspirei. “Gozaria ainda mais com você dentro de mim.”
“Vou me lembrar disso.”
“Tudo bem se eu ficar meio dolorida hoje”, argumentei. “Vou ter vários dias
pra me recuperar.”
Uma faísca se acendeu no fundo dos olhos de Joseph. Ele se levantou.
“Não, Demetria.”
Meu barato pós-orgasmo se desfez diante da seriedade de seu tom de voz.
Apoiei-me sobre os cotovelos e vi que ele se despia com movimentos rápidos e
econômicos.
“A escolha é minha”, relembrei.
Joseph já tinha tirado o colete, a gravata e as abotoaduras. Seu tom de voz
foi quase imparcial quando ele perguntou: “Você quer mesmo fazer esse
joguinho?”.
“Se for preciso.”
“Vai ser preciso muito mais que isso pra eu querer machucar você.” A calça
e a camisa ele tirou mais devagar, num striptease muito mais sedutor que o meu.
“Para nós, a dor e o prazer são coisas inconciliáveis.”
“Eu não quis dizer que...”
“Eu sei o que você quis dizer.” Ele abaixou a cueca, ajoelhou-se na cama e
se arrastou até mim como um grande felino espreitando sua caça. “Você quer o
meu pau na sua boceta. E diria o que fosse preciso pra conseguir isso.”
“Sim.”
Ele se posicionou em cima de mim. Seus cabelos caíram como uma cortina
sobre seu rosto, e seu corpo se impôs como uma sombra sobre o meu. Baixando
a cabeça, ele levou sua boca até a minha e me lambeu de leve com a ponta da língua.
“Você está aflita. Está se sentindo vazia sem ele.”
“É isso mesmo.” Agarrei seus quadris, inclinando-me para cima a fim de
sentir seu corpo junto ao meu. O momento do sexo é quando nos sentimos mais
próximos, e eu precisava daquela proximidade, precisava garantir que estava
tudo bem entre nós antes de passar o fim de semana sem ele.
Ele se encaixou no meio das minhas pernas. Sua ereção quente e rígida
provocava meus lábios. “Sei que dói um pouco quando enfio tudo de uma vez,
mas não tem muito jeito... sua boceta é apertadinha, e morro de tesão por você.
Às vezes perco o controle e meto com força, mas não dá pra evitar. Só não me
peça pra machucar você deliberadamente. Isso eu não consigo.”
“Quero você”, sussurrei, esfregando-me sem nenhuma vergonha no pau
dele.
“Ainda não.” Ele remexeu os quadris para me deixar alinhada à cabeça do
seu pênis, e depois foi entrando devagarinho, alargando-me e preparando-me,
só com a pontinha. Eu estremeci — meu corpo ainda resistia. “Você não está
pronta.”
“Me fode. Por favor... me fode!”
Ele deslizou uma das mãos pelo meu corpo e segurou meus quadris, detendo
minhas tentativas desesperadas de colocá-lo para dentro. “Você não está
pronta.”
Tentei me libertar do seu aperto. Minhas unhas se cravaram nos músculos
rígidos do traseiro dele e o puxei para mim. Não me importava que fosse doer.
Se não o sentisse dentro do meu corpo eu ia enlouquecer. “Me come.”
Joseph passou a mão pelos meus cabelos e os agarrou para me manter
imóvel. “Olhe pra mim.”
“Joseph!”
Olhe pra mim.
Fiquei paralisada ao seu comando. Eu o encarei, mas minha frustração foi
se desfazendo à medida que uma lenta e gradual transformação ocorria em seu
rosto.
Suas feições se contorceram, como se ele estivesse sentindo dor. Ele franziu
a testa. Seus lábios se separaram com um gemido e seu corpo começou a
subir e descer. Os músculos de seu queixo começaram a vibrar em um espasmo
violento. Sua pele esquentou e seu calor se espalhou por mim. Mas o que me
deixou mais impressionada foram seus olhos azuis penetrantes e a inconfundível
vulnerabilidade que exalavam.
Meu coração disparou quando notei essa mudança em seu rosto. O colchão
balançou quando ele apoiou o peso do corpo nos pés e...
Demetria.” Ele deu uma estocada e começou a gozar, soltando um jorro quente
dentro de mim. Seu rugido de prazer reverberava pelo meu corpo, seu pau
deslizava em meio à corrente de sêmen que fez brotar dentro de mim. “Ah...
Nossa.”
Durante todo esse tempo ele não tirou os olhos de mim, mostrando abertamente
seu rosto, quando o habitual era enterrá-lo no meu pescoço. Vi aquilo que
gostaria de ver... o fato que ele queria provar...
Não havia distância nenhuma entre nós.
Remexendo os quadris, Joseph despejou o restante do seu orgasmo,
esvaziando-se dentro de mim, deixando-me lubrificada a ponto de não haver
nenhuma dor ou resistência. Ele soltou meus quadris e permitiu que eu me
movesse ao seu encontro, estimulando meu clitóris para poder gozar também.
Com os olhos grudados nos meus, procurou meus punhos com as mãos. Com
um único movimento, jogou meus braços para cima da minha cabeça,
prendendo-me.
Colada ao colchão pela força de suas mãos, seu peso e sua ereção implacável,
eu estava completamente à mercê dele. Joseph retomou as estocadas,
deslizando pelas paredes trêmulas da minha boceta com seu pau enorme.
Dominando-me. Possuindo-me.
“Crossfire”, ele sussurrou, relembrando a palavra de segurança caso fosse
necessário.
Gemi quando minha boceta irrompeu em clímax, apertando, espremendo e
ordenhando avidamente o pau dele.
“Está sentindo?” A língua de Joseph circundava minha orelha, e sua respiração
esquentava o que já estava úmido. “Estou literalmente na sua. Cadê a
distância agora, meu anjo?”

Durante as três horas seguintes, não houve distância nenhuma.