segunda-feira, 21 de julho de 2014

Capítulo 14 e 15


Minhas costas bateram no tatame com força suficiente para roubar o ar
dos meus pulmões. Aturdida, pisquei várias vezes olhando para o teto, tentando
recobrar o fôlego.
O rosto de Parker Smith apareceu no meu campo de visão. “Você só está
me fazendo perder tempo. Se veio até aqui, então se concentre no que está
acontecendo aqui. Seus pensamentos estão a milhões de quilômetros.”
Agarrei a mão que ele estendeu para mim e fui posta de pé em um puxão.
Ao nosso redor, mais de uma dezena de aprendizes de krav maga treinavam
duro. A academia no Brooklyn estava tomada por ruídos e atividade.
E ele tinha razão. Eu não conseguia pensar em mais nada além da reação
estranha da minha mãe na frente do Crossfire quando voltamos do almoço.
“Desculpe”, murmurei. “Estou com a cabeça meio cheia.”
Ele se movia como um relâmpago, acertando meu joelho e depois meu ombro
com golpes leves de mão aberta. “E você acha que um agressor não aproveitaria
um momento de distração como esse para atacar?”
Eu me agachei, fazendo força para tentar me concentrar. Parker fez o
mesmo, encarando-me com seu olhar atento e implacável. A pele morena de sua
cabeça raspada brilhava sob a luz das lâmpadas fluorescentes. A academia era
um antigo depósito, que não havia sido modificado nem decorado por razões tanto estéticas como práticas, criando assim uma atmosfera propícia ao exercício
da autodefesa. Minha mãe e meu padrasto, paranoicos como eles só, faziam
Clancy me levar às aulas. Aquela região estava sendo revitalizada, o que eu
achava ótimo, mas para eles era sinal de problemas.
Quando Parker veio para cima de mim de novo, consegui detê-lo. Ele
pegou ainda mais pesado depois disso, obrigando-me a esquecer qualquer outro
pensamento até bem mais tarde, quando eu já estava em casa.
Joseph apareceu mais ou menos uma hora depois e me encontrou na banheira,
cercada por velas aromáticas. Ele tirou a roupa para se juntar a mim,
apesar de seus cabelos molhados denunciarem que havia tomado banho depois
de se exercitar com o personal trainer. Eu o observei enquanto se despia, fascinada.
A movimentação dos músculos sob sua pele e a elegância com que se mexia
faziam uma sensação de bem-estar se espalhar pelo meu corpo.
Joseph se posicionou atrás de mim na banheira oval, suas longas pernas
envolvendo as minhas. Ele segurou meus braços e me levantou, pegando-me de
surpresa, e quando me dei conta estava sentada em seu colo.
“Encosta aqui em mim, meu anjo”, ele murmurou. “Preciso sentir você.”
Suspirei de prazer, soltando todo o meu peso e me aninhando sobre seu
corpo firme e rígido. Meus músculos doloridos relaxaram, ansiosos como
sempre para ser manipulados por seu toque. Momentos como aquele eram os
meus preferidos. O restante do mundo e nossos gatilhos emocionais se tornavam
uma coisa distante. Era quando eu sentia o amor que ele não ousava
confessar.
“Mais hematomas?”, ele perguntou com o rosto colado ao meu.
“Foi culpa minha. Minha cabeça não estava colaborando muito.”
“Estava pensando em mim?”, ele sussurrou, acariciando minha orelha com
o nariz.
“Quem me dera.”
Ele fez uma pausa antes de alterar o tom da conversa. “Me conte o que está
incomodando você.”
Eu adorava essa capacidade dele de me entender e mudar a abordagem de
acordo com minhas reações. Eu me esforçava para ser como Joseph. A flexibilidade
era um requisito indispensável em um relacionamento entre duas pessoas
complicadas.
Entrelaçando meus dedos aos dele, falei sobre o comportamento esquisito
da minha mãe depois do almoço.
“Por um momento achei que daria de cara com meu pai. Eu estava
pensando... O prédio tem câmeras viradas para a calçada, não tem?”
“Claro. Posso conseguir as imagens pra você.”
“Seriam no máximo dez minutos. Só quero tentar descobrir o que
aconteceu.”
“Por mim já está feito.”
Joguei a cabeça para trás e beijei seu queixo. “Obrigada.”
Seus lábios roçaram de leve meu ombro. “Meu anjo, eu faria qualquer coisa
por você.”
“Inclusive falar sobre seu passado?” Senti que ele se arrependeu do que
tinha dito. “Não precisa ser agora”, apressei-me em dizer, “mas algum dia. Você
decide quando estiver pronto.”
“Almoça comigo amanhã? Na minha sala?”
“Você vai me contar tudo durante o almoço?”
Joseph bufou. “Demetria.”
Virei o rosto e o soltei, decepcionada com a recusa. Agarrando as bordas da
banheira, preparei-me para levantar e sair de perto do homem com quem eu
tinha mais intimidade no mundo, mas que ainda assim parecia uma pessoa irremediavelmente
distante. Manter uma relação com ele significava andar sempre no fio da navalha, começar a duvidar de coisas das quais eu tinha certeza poucos
momentos antes. Começar e recomeçar o tempo todo.
“Pra mim já chega”, murmurei, apagando a vela mais próxima de mim. A
fumaça serpenteou pelo ar, intangível como o homem que eu amava. “Vou sair.”
“Não.” Ele agarrou meus seios, restringindo meus movimentos. A água
começou a respingar para fora da banheira, reflexo da minha agitação.
“Me larga, Joseph.” Eu o peguei pelos pulsos e afastei suas mãos de mim.
Ele enterrou o rosto no meu pescoço, segurando-me obstinadamente. “Eu
chego lá. Tudo bem? Só me dá... Eu chego lá.”
Eu me desarmei diante do pequeno triunfo que esperava obter logo de
cara, quando fiz a pergunta.
“Podemos deixar isso de lado só por uma noite?”, ele perguntou em um
tom de irritação, ainda com o corpo todo tenso. “Deixar tudo de lado? Só quero a
sua companhia, pode ser? Pedir alguma coisa pra jantar, ficar vendo tevê,
dormir abraçado... Podemos fazer isso?”
Percebendo que havia alguma coisa bem séria o incomodando, virei-me
para olhá-lo. “Aconteceu alguma coisa?”
“Só quero ficar um tempinho com você.”
Lágrimas brotaram dos meus olhos. Havia tanta coisa que ele não era
capaz de me dizer, tanta coisa. Nosso relacionamento estava se transformando
em um campo minado de palavras não ditas e segredos não compartilhados.
“Tudo bem.”
“Estou precisando disso, Demetria. Eu e você, sem nenhum drama.” Joseph passou
os dedos molhados pelo meu rosto. “Me faça esse favor. E me beije.”
Eu me virei, posicionei-me sobre seus quadris e agarrei seu rosto com as
mãos. Inclinei a cabeça até o ângulo perfeito e juntei meus lábios aos dele.
Comecei bem devagar, com sucções leves. Mordi sem muita força seu lábio inferior, depois me entreguei ao beijo para que todos os nossos problemas se esvaíssem
ao contato da minha língua com a dele.
“Me beija, porra”, ele rugiu, passando as mãos pelas minhas costas e se remexendo
sem parar. “Se você me ama, me beija.”
“Eu te amo”, garanti, sem separar nossas bocas. “Não posso evitar.”
“Meu anjo.” Agarrando com as mãos meus cabelos molhados, ele me
manteve na posição em que queria e se rendeu a um beijo apaixonado.
Depois do jantar, Joseph foi trabalhar na cama, com a cabeça encostada na
cabeceira e o laptop em uma mesinha portátil. Eu estava deitada de bruços,
vendo tevê e balançando os pés.
“Você sabe todas as falas desse filme?”, ele perguntou, desviando temporariamente
minha atenção de Os Caça-fantasmas para olhá-lo. Ele só estava
usando uma cueca boxer preta.
Adorava vê-lo daquela maneira relaxada, despojada e íntima. Perguntei-me
se Corinne já havia desfrutado da mesma visão. Em caso positivo, eu era
capaz de imaginar seu desespero para estar de novo diante daquela cena, com
base no meu desespero para nunca perder o privilégio.
“Talvez”, admiti.
“E precisa dizer todas em voz alta?”
“Algum problema, garotão?”
“Não.” Ele sorriu, e seus olhos deixavam claro que estava se divertindo.
“Quantas vezes você já viu isso?”
“Um zilhão.” Eu me virei e ergui as mãos e os joelhos. “Está bom pra
você?”
Ele levantou uma sobrancelha.
“Você é o porteiro?”, murmurei, aproximando-me.
“Meu anjo, com você me encarando desse jeito, aceito ser qualquer coisa.”
Virei para ele com os olhos semicerrados e sussurrei: “Você quer este
corpinho?”.
Sorrindo, ele pôs o computador de lado. “Vinte e quatro horas por dia.”
Montei em suas pernas e me inclinei sobre ele. Lancei meus braços sobre
seus ombros e grunhi: “Me beija, criatura inferior”.
“Ah, então é assim que as coisas funcionam? O que aconteceu com o deus
do prazer? Agora sou uma criatura inferior?”
Pressionei meu sexo contra a extensão rígida do pau dele e remexi os
quadris. “Você aceita ser qualquer coisa, esqueceu?”
Joseph me agarrou na altura das costelas e jogou a cabeça para trás. “E o
que você quer que eu seja?”
“Meu.” Dei uma mordida em sua garganta. “Todo meu.”

Capítulo 15


Eu não conseguia respirar. Tentei gritar, mas alguma coisa tapava meu
nariz... cobria minha boca. Um gemido agudo foi o único som a escapar. Meus
pedidos frenéticos de socorro estavam aprisionados dentro da minha mente.
Me larga! Para com isso! Não encosta em mim. Ai, meu Deus... por favor,
não faz isso comigo.
Onde estava minha mãe? Mãe!
A mão de Nathan cobria minha boca, bloqueando meus lábios. O peso de
seu corpo pressionava o meu para baixo, esmagando minha cabeça contra o
travesseiro. Quanto mais eu resistia, mais excitado ele ficava. Arfando como o
animal que era, Nathan investia contra mim, de novo e de novo... tentando me
penetrar. Minha calcinha estava no caminho, minha única proteção contra a dor
que eu já havia experimentado incontáveis vezes.
Como se estivesse lendo minha mente, ele rugiu na minha orelha: “Você
ainda não sabe o que é dor. Mas vai descobrir já, já”.
Fiquei paralisada. A consciência me atingiu como um balde de água fria.
Eu conhecia muito bem aquela voz.
Joseph. Não!
Minha pulsação acelerada ressoava nos meus ouvidos. Uma ânsia de
vômito se espalhou por minha barriga. Senti a bile subir até minha boca.
Era ainda pior, muito pior, quando o estuprador era alguém em quem você
confiava mais do que em qualquer outra pessoa no mundo.
O medo e a raiva se misturaram em uma dose potente de adrenalina. Em
um momento de lucidez, ouvi a voz de Parker gritando seus comandos e me lembrei
do básico.
Ataquei o homem que amava, o homem cujos pesadelos se misturavam
com os meus da maneira mais pavorosa possível. Éramos ambos sobreviventes
de abusos sexuais, mas nos meus sonhos eu ainda era a vítima. Nos de Joseph,
ele havia se tornado o agressor, furiosamente determinado a se vingar infligindo
a mesma agonia e humilhação que tinha sofrido a quem o atacou.
Meus dedos enrijecidos golpearam a garganta de Joseph. Ele recuou com
um palavrão e se virou, e eu aproveitei para dar uma joelhada no meio de suas
pernas. Dobrado sobre si mesmo, ele caiu para um dos lados. Rolei para fora da
cama e caí no chão. Aos tropeções, arremessei-me porta afora e cheguei ao
corredor.
“Demetria!”, ele gritou sem fôlego, acordado e ciente do que quase havia feito
enquanto dormia. “Meu Deus. Demetria. Espere!”
Continuei em frente e corri até a sala.
Encontrei um canto escuro, encolhi-me toda e, fazendo força para respirar,
chorei até meus soluços ressoarem pelo apartamento. Pressionei a boca contra o joelho quando vi a luz do meu quarto se acender e não fiz nenhum movimento
quando, uma eternidade depois, Joseph apareceu na sala.
“Demetria? Meu Deus. Está tudo bem? Eu... machuquei você?”
Parassonia sexual atípica, foi o nome que o dr. Petersen mencionou, uma
manifestação física do trauma psicológico profundo de Joseph. Para mim, o
nome daquilo era inferno. E ambos tínhamos sido arrastados para ele.
Sua linguagem corporal era de partir o coração. Sua postura normalmente
cheia de dignidade estava esmagada pelo peso do fracasso. Seus ombros estavam
caídos e sua cabeça, abaixada. Joseph estava vestido e segurava a mala
com suas roupas. Parou junto ao balcão. Abri a boca para falar, mas fui interrompida
pelo barulho de um objeto de metal contra o tampo de pedra.
Da outra vez, eu o detive; pedi para que ficasse. Agora, não estava disposta
a fazer o mesmo.
Agora, queria que ele fosse embora.
O ruído quase inaudível da chave entrando na porta reverberou pelo meu
corpo. Algo dentro de mim morreu. O pânico tomou forma. Senti sua falta no
mesmo momento em que ele partiu. Não queria que Joseph ficasse. Mas também
não queria que fosse embora.
Não sei quanto tempo fiquei ali encolhida naquele canto antes de reunir
forças para levantar e ir até o sofá. Notei distraidamente que a noite estava
começando a virar dia, e logo depois ouvi o som distante do toque do celular de
Cary. Pouco tempo depois, ele veio correndo até a sala.
“Demetria!” Ele chegou até mim em um segundo, agachando-se na minha
frente, apoiado sobre as mãos e os joelhos. “O que foi que ele fez?”
Pisquei, confusa. “Quê?”
“Jonas ligou. Ele contou que teve outro pesadelo.”
“Não aconteceu nada.” Senti uma lágrima quente deslizar por meu rosto.
“Está na sua cara que alguma coisa aconteceu. Você está...”
Eu o agarrei pelos punhos quando ele se levantou dizendo um palavrão.
“Estou bem.”
“Merda, Demetria. Nunca vi você tão assustada. Não dá pra continuar assim.”
Ele se sentou ao meu lado e me puxou para seu ombro. “Já chega. Está na hora
de acabar com isso.”
“Não posso tomar essa decisão assim, por impulso.”
“Você está esperando o quê?” Ele me forçou a encará-lo. “Se esperar demais,
não vai ser só mais um relacionamento fracassado, vai foder sua vida pra
sempre.”
“Se eu desistir de Joseph, ele nunca mais vai ter ninguém. Não posso...”
“Isso não é problema seu, Demetria... Puta que o pariu. Você não tem a
obrigação de salvar esse cara.”
“É que... Você não entende.” Com meus braços em torno dele e meu rosto
enterrado em seu pescoço, eu disse aos soluços: “É ele que está me salvando”.
Senti uma terrível ânsia de vômito ao ver a cópia da chave que havia dado
para Joseph em cima do balcão da cozinha. Quase não tive tempo de chegar até
a pia.
Depois de esvaziar o estômago, senti uma dor tão aguda que era quase
debilitante. Agarrei-me à beirada do balcão, suando frio e com dificuldade para
respirar, chorando tanto que não sabia como suportar os cinco minutos
seguintes, muito menos o restante do dia. Ou da minha vida.
Da última vez que Joseph me devolveu aquela chave, ficamos sem nos
falar durante quatro dias. Era impossível não pensar que a repetição daquele
gesto significava uma ruptura muito maior. O que eu tinha feito? Por que não
fora atrás dele? Por que não conversara com ele? Por que não impedira que
fosse embora?
Meu telefone emitiu o sinal de alerta de mensagem de texto. Arrastei-me
até a bolsa, torcendo para que fosse Joseph. Ele havia ligado três vezes para
Cary, mas não tinha tentado falar comigo.
Quando vi seu nome na tela, senti um aperto no peito.
Vou trabalhar em casa hoje. Angus vai passar aí e te levar para o trabalho.
Senti meu estômago embrulhar de novo, dessa vez de medo. Tinha sido
uma semana dificílima para nós dois. Seria compreensível se ele desistisse de
vez. Essa compreensão, porém, vinha revestida de um pânico tão pavoroso que
senti um arrepio subir por meus braços.
Meus dedos tremiam enquanto eu digitava a resposta.
Nos vemos hoje à noite?
Depois de uma longa pausa, a ponto de eu quase escrever de novo, ele enfim
se manifestou.
Não conte com isso. Tenho consulta com o dr. Petersen e um monte de
coisas para fazer.
Agarrei o telefone com força. Precisei recomeçar três vezes antes de reunir
forças para escrever: Quero ver você.
A resposta demorou mais do que nunca. Já estava quase ligando, em estado
de pânico, quando a mensagem chegou: Vou ver o que posso fazer.
Meu Deus... Eu mal conseguia enxergar as letras em meio às lágrimas. Ele
tinha desistido. Meu coração dizia isso, era o que eu sentia no fundo da alma.
Não fuja. Eu não vou fugir.
Ele respondeu depois do que pareceu uma eternidade: Mas deveria.
Pensei em ligar para o trabalho e dizer que estava doente, mas acabei
mudando de ideia. Eu já havia passado por aquilo antes. Se fizesse isso, o passo
seguinte seria retomar os antigos hábitos autodestrutivos com os quais eu costumava
lidar com a dor. Perder Joseph seria terrível, mas me perder poderia ser
pior.
Eu precisava aguentar firme. Seguir em frente. Manter o controle. Um
passo de cada vez.
E então lá estava eu, à espera do Bentley no horário de sempre. Apesar de a
expressão sorridente de Angus ter me deixado ainda mais apreensiva, coloquei-me
no modo piloto automático que me ajudaria a superar o restante daquele dia.
O expediente passou numa espécie de estupor. Trabalhei bastante e me
concentrei no que precisava fazer, uma forma de impedir que acabasse enlouquecendo.
Mas meu coração não estava lá. Passei a hora do almoço perambulando
pelas ruas, incapaz de pensar em comer ou conversar com quem quer que
fosse. Quando saí, pensei em faltar à aula de krav maga, mas acabei indo e me
dedicando da mesma forma que com o trabalho. Era preciso seguir em frente,
por mais desesperadores que fossem os rumos que as coisas estavam tomando.
“Hoje você está melhor”, comentou Parker durante uma pausa entre os exercícios.
“Ainda está distraída, mas está melhor.”
Concordei com a cabeça e limpei o rosto com a toalha. As aulas de Parker a
princípio eram apenas uma alternativa mais dinâmica às aulas de ginástica convencionais,
mas, depois da noite anterior, percebi que a defesa pessoal era muito
mais que um mero benefício adicional.
As tatuagens tribais que envolviam seus bíceps se encolheram quando ele
levou a garrafa de água à boca. Como Parker era canhoto, sua aliança saltou aos
meus olhos nesse momento. Lembrei-me do meu anel de compromisso na mão
direita e olhei para ele. Recordei o momento em que Joseph me presenteou com
aquele anel, dizendo que as cruzes incrustadas de diamantes ao redor da joia
representavam nossos dedos entrelaçados. Imaginei se ele ainda pensava assim.
Nesse caso, eu ainda estava disposta a tentar. E muito.
“Pronta?”, perguntou Parker, descartando a garrafa na lata de lixo
reciclável.
“Até demais.”
Ele sorriu. “Agora sim.”
Parker ainda levava a melhor sobre mim no corpo a corpo, mas não por
falta de esforço da minha parte. Eu me dediquei a cada minuto, descarregando
minhas frustrações de maneira saudável, através de exercícios físicos intensos.
As poucas vezes em que superei meu instrutor me deram força para tentar lutar
com o mesmo afinco pelo meu namoro tão tumultuado. Estava disposta a investir
tempo e esforço para ficar com Joseph, para fortalecer a mim mesma e conseguir
superar as nossas dificuldades. E era isso o que eu ia dizer para ele.
Quando a aula terminou, tomei um banho, despedi-me dos colegas, saí
porta afora e encontrei um início de noite ainda bem quente. Clancy já estava à
minha espera, encostado no carro, mas só um imbecil imaginaria que ele estava
ali de bobeira. Apesar do calor, ele estava de paletó, escondendo a arma pendurada
na cintura.
“Como estão indo as aulas?” Clancy se endireitou e abriu a porta para mim.
Desde que o conhecia, ele mantinha seus cabelos loiros escuros em um corte
militar, aprofundando ainda mais a impressão de ser um homem sério e
circunspecto.
“Estou me esforçando.” Instalei-me no banco de trás e pedi que me levasse
à casa de Joseph. Eu tinha a minha própria chave, e planejava usá-la.
No caminho, fiquei curiosa para saber se Joseph  havia de fato comparecido
à consulta com o dr. Petersen ou se tinha cancelado. Ele só concordou em
fazer terapia por minha causa. Se tivesse desistido definitivamente de mim, poderia
não ver mais motivo para continuar.
Passei pelo sóbrio e elegante saguão do prédio e me identifiquei na portaria.
Apenas quando estava no elevador privativo comecei a ficar nervosa de verdade.
Ele havia me incluído entre as pessoas com acesso ao apartamento algumas
semanas antes, um gesto com um significado muito especial, já que a casa
de Joseph era seu santuário, um lugar onde as visitas eram presença raríssima.
Eu era a primeira mulher a dormir com ele ali, e a única pessoa a ter a chave do
apartamento além dos empregados. No dia anterior, tinha a certeza de ser bem
recebida, mas naquele momento...
Saí do elevador para um pequeno hall com piso de pedra branco e preto e
uma mesinha antiga com um arranjo de lírios brancos. Antes de abrir a porta,
respirei bem fundo, reunindo forças para me preparar para quando o encontrasse.
Na vez anterior em que havia me atacado durante o sono, ele havia ficado
arrasado. Era impossível não temer as consequências da repetição daquele fato.
Eu estava morrendo de medo de que a parassonia fosse o motivo que acabaria
nos separando.
Assim que entrei no apartamento, porém, percebi que ele não estava em
casa. A energia que preenchia aquele espaço quando Joseph estava lá era bem
diferente.
Os sensores acionaram as luzes quando entrei na luxuosa sala, e fiz um esforço
para tentar me sentir em casa. Meu quarto ficava logo ali, depois de um
corredor, e foi para lá que me dirigi, parando um pouco na porta para digerir
melhor o fato de que era uma reprodução exata do quarto no meu apartamento.
Era uma réplica perfeita, da cor das paredes às roupas de cama, mas sua existência
ali era um tanto perturbadora.
Joseph o havia criado como um quarto de segurança para mim, um espaço
ao qual eu pudesse recorrer sem me afastar dele quando precisasse ficar sozinha.
Era o que eu estava fazendo naquele momento, de certa forma, mantendome
por perto, mas no meu próprio espaço.
Deixei minha bolsa e a mala da ginástica sobre a cama, tomei um banho e
vesti uma das camisetas das Indústrias Jonas que ele havia separado para mim.
Tentei não ficar pensando no motivo de ele não estar em casa. Tinha acabado de
pegar uma taça de vinho e de ligar a televisão da sala quando meu celular tocou.
“Alô?”, atendi, perguntando-me se conhecia o número no identificador de
chamadas.
“Demetria? É Shawna.”
“Ah, oi, Shawna.” Tentei não parecer muito decepcionada.
“Você pode falar ou quer que eu ligue outra hora?”
Olhei para a tela do celular e percebi que eram quase nove horas. O ciúme
se misturou à preocupação. Onde ele podia estar? “Posso falar, sim. Estou à toa,
vendo tevê.”
“Desculpa não ter atendido ontem quando você ligou. Sei que é um convite
meio repentino, mas queria saber se você está a fim de ir comigo no show do
Six-Ninths na sexta.”
“No show de quem?”
“Six-Ninths. Você nunca ouviu falar? É uma banda indie. Bom, pelo menos
era, até o ano passado. Conheço os caras há um bom tempo, ajudei na divulgação
deles no começo, então ganhei uns ingressos. E é aquela coisa, todo
mundo que conheço só gosta de hip-hop e dance. Não diria que você é minha última
esperança, mas... você é minha última esperança. Me diz que gosta de rock
alternativo, vai.”
“Eu gosto de rock alternativo.” Ouvi um bipe no telefone. Uma nova chamada.
Quando vi que era Cary, deixei cair na caixa de mensagem. A conversa
com Shawna não seria das mais longas, eu poderia ligar para ele logo em
seguida.
“Bem que eu imaginei!” Ela riu. “Tenho quatro ingressos, então se você
quiser levar alguém... A gente pode se encontrar às seis e sair pra comer alguma
coisa. O show começa às nove.”
Joseph chegou no exato instante em que respondi: “Está combinado”.
Ele passou pela porta com o paletó pendurado no braço, o primeiro botão
da camisa aberto e uma pasta na mão. Sua máscara estava lá, impedindo que suas emoções transparecessem ao me ver deitada em seu sofá, usando sua camiseta,
com uma taça de vinho sobre sua mesa de centro e sua televisão ligada. Ele
me olhou de cima a baixo, mas seus lindos olhos não diziam nada. Comecei a me
sentir desconfortável, como se não fosse bem-vinda.
“Depois te falo sobre o ingresso extra”, eu disse para Shawna, sentando-me
lentamente para não ter que encará-lo. “Obrigada por se lembrar de mim.”
“Estou feliz por você ter aceitado o convite! A gente vai se divertir muito.”
Combinamos de conversar no dia seguinte e desliguei. Nesse meio-tempo,
Joseph havia posto a pasta no chão e largado o paletó em uma das poltronas em
volta da mesa de vidro.

“Faz tempo que você está aqui?”, perguntou, afrouxando ainda mais o nó
da gravata.
Fiquei de pé. Estava com as mãos suadas, morrendo de medo de que ele
me mandasse embora. “Não muito.”
“Já comeu?”
Sacudi a cabeça. Não tinha conseguido comer direito o dia inteiro. Só
sobrevivi à aula com Parker graças a uma vitamina que havia tomado na hora do
almoço.
“Peça alguma coisa.” Ele passou por mim na direção do corredor. “Os
cardápios estão na cozinha, na gaveta ao lado da geladeira. Vou tomar um banho
rápido.”
“Você vai querer comer também?”, perguntei para as costas dele.
Joseph não parou para responder. “Vou. Ainda não comi.”
No fim, decidi pedir uma sopa de tomate e baguetes fresquinhas de um
lugar ali perto, algo que meu estômago não teria dificuldades para digerir, mas
meu celular tocou de novo.
“Oi, Cary”, atendi, sentindo um desejo de estar em casa com ele, e não à
beira de um rompimento doloroso.
“Oi. Jonas acabou de passar aqui procurando por você. Mandei ele ir para o
inferno e não voltar nunca mais.”
“Cary.” Suspirei. Não era culpa dele — eu faria a mesma coisa para
protegê-lo. “Obrigada por me avisar.”
“Onde você está?”
“Na casa dele. Joseph acabou de chegar. Mas devo ir embora daqui a
pouco.”
“Você vai dar um pé na bunda dele?”
“Acho que quem vai fazer isso é ele.”
Cary soltou o ar com força. “Sei que não é isso que você quer, mas é a melhor
coisa que poderia acontecer. Você precisa ligar para o doutor Travis o
quanto antes. Conversar com ele. Pôr as coisas nos seus devidos lugares.”
Tive que engolir em seco, apesar do nó na garganta. “Eu... Talvez.”
“Está tudo bem?”
“Pelo menos tudo vai terminar com uma conversa cara a cara, de uma
forma civilizada. Já é alguma coisa.”
O celular foi arrancado da minha mão.
Joseph não tirou os olhos de mim enquanto dizia “Tchau, Cary”, desligava
o telefone e o deixava sobre o balcão. Seus cabelos ainda estavam molhados, e
ele vestia uma calça de pijama preta de cintura baixa. Fiquei abalada ao olhar
para ele, o que me fez lembrar tudo o que tinha a perder quando não estivéssemos
mais juntos — a ansiedade e o desejo de tirar o fôlego, o carinho e a intimidade,
aquela sensação efêmera de que éramos perfeitos um para o outro e que
fazia tudo valer a pena.
“Com quem você vai sair?”, ele perguntou.
“Hã? Ah, com Shawna, cunhada de Mark. Ela tem ingressos sobrando pra
um show na sexta-feira.”
“Já decidiu o que quer comer?”
Fiz que sim com a cabeça, puxando para baixo a bainha da camiseta, envergonhada
por estar com tão pouca roupa.
“Me dê uma taça disso aí que você está bebendo.” Ele estendeu o braço por
trás de mim e apanhou o cardápio que eu tinha deixado sobre o balcão. “Pode
deixar que eu peço. O que você quer?”
Foi um alívio sair de perto dele para ir pegar a taça. “Sopa. E pão fresco.”
Tirei a rolha da garrafa e servi o merlot que havia aberto pouco antes.
Joseph ligou para a delicatéssen e começou a fazer o pedido com sua voz firme e
rouca que eu adorava desde a primeira vez que tinha ouvido. Ele pediu sopa de
tomate, o que me fez sentir mais um aperto no peito. Sem que nada fosse dito,
Joseph havia pedido o que eu queria. Era mais uma daquelas pequenas coisas
que sempre me faziam sentir que éramos feitos um para o outro, que estávamos
destinados a ficar juntos para sempre se conseguíssemos acertar nossos
ponteiros.
Entreguei a taça a ele e o observei dar o primeiro gole. Ele parecia cansado,
o que me fez pensar que não havia dormido depois do acontecido, assim como
eu.
Joseph baixou a taça e lambeu os resquícios de vinho em seus lábios. “Passei
na sua casa pra falar com você. Cary deve ter dito.”
Passei a mão sobre o peito para aliviar uma pontada de dor. “Desculpe...
Sobre isto aqui e...” Apontei para a roupa que estava usando. “Que droga. Eu não
estava preparada pra isto.”
Ele se encostou no balcão e cruzou os tornozelos. “Como assim?”
“Pensei que você estivesse em casa. Eu devia ter ligado primeiro. Quando
vi que não estava, devia ter esperado você chegar em vez de ir me instalando.”
Esfreguei os olhos, que estavam ardendo. “Eu... não sei direito o que está
acontecendo. Estou confusa.”
Ele inspirou profundamente, fazendo seu peito se expandir. “Se você está
esperando que eu termine com você, nem espere mais.”
Apoiei-me sobre a pia da cozinha para não perder o equilíbrio. Será que
tudo estava indo por água abaixo mesmo?
“Não consigo fazer isso”, ele disse sem rodeios. “Não consigo nem dizer
que você já conhece o caminho da rua, se veio aqui para terminar comigo.”
O quê? Franzi o rosto, confusa. “Você deixou sua chave na minha casa.”
“E agora quero de volta.”
“Joseph.” Fechei os olhos, e as lágrimas correram pelo meu rosto. “Você é
um idiota.”
Virei as costas e tomei o caminho do meu quarto com passadas um tanto
inseguras e cambaleantes, mas que tinham pouca relação com a quantidade de
vinho que eu havia bebido.
Quando abri a porta do quarto, fui agarrada pelo cotovelo.
“Não vou entrar aí”, ele disse asperamente, bem perto do meu ouvido.
“Prometi a você. Só vou pedir pra você ficar, conversar comigo. Ou pelo menos
me ouvir. Você veio até aqui...”
“Tenho uma coisa pra você.” Essas palavras saíram da minha garganta a
muito custo.
Ele me soltou, e eu corri até minha bolsa. Quando me virei para ele, perguntei:
“Quando você deixou sua chave no balcão, estava pensando em terminar
comigo?”.
Ele ficou parado na porta. Seus braços estavam abertos e seus dedos agarravam
os batentes, como se estivesse fazendo força para não entrar. Era uma
posição que revelava seu corpo de maneira magnífica, definindo o contorno de
cada músculo, deixando o elástico de sua calça pendurado por um fio sobre os
quadris. Eu o desejava com todas as forças que tinha.
“Eu não estava pensando no longo prazo”, ele esclareceu. “Só queria que
você se sentisse segura.”
Apertei com força o objeto que estava segurando nas mãos. “Você partiu
meu coração, Joseph. Nem imagina o que senti quando vi aquela chave largada
ali. O quanto aquilo me magoou. Você não faz ideia.”
Ele fechou os olhos lentamente e baixou a cabeça. “Eu não sabia o que
pensar. Achei que estava tomando a única atitude possível diante...”
“Pode parar com essa conversa. Não venha me falar de cavalheirismo ou de
qualquer outro nome que você dê pra essa merda toda.” Levantei a voz. “Vou te
dizer uma coisa, uma coisa muito séria, mais séria do que tudo que já disse
antes: se você me devolver essa chave de novo, está tudo acabado entre nós. É
fim de papo. Entendeu bem?”
“Entendi, claro. Só não sei se você tem certeza do que está falando.”
Soltei um suspiro trêmulo e fui até ele. “Me dê sua mão.”
A mão esquerda dele continuou agarrada ao batente, mas a direita veio em
minha direção.
“Na verdade, nunca te dei a chave da minha casa, você simplesmente
pegou.” Deixei meu presente na palma da mão dele. “Agora estou dando.”
Dei um passo atrás e o observei enquanto ele olhava para o chaveiro reluzente
com a chave do meu apartamento. Foi a melhor maneira que encontrei
para mostrar a ele que estava me entregando de corpo e alma, por livre e espontânea
vontade.
Joseph cerrou o punho, apertando o presente com força. Depois de longos
segundos de espera, olhou para mim com o rosto molhado de lágrimas.
“Não”, sussurrei, com o coração ainda mais apertado. Peguei seu rosto
entre as mãos, limpando suas bochechas com os polegares. “Por favor... não.”
Ele me abraçou e colou seus lábios aos meus. “Não sei como fazer isso.”
“Shh.”
“Só vou magoar você. Já estou magoando. Você merece coisa melhor...”
“Quieto, Joseph.” Agarrei-me e a ele e enlacei sua cintura com as pernas.
“Cary disse que você estava...” Seu corpo começou a tremer violentamente.
“Não sei se está se dando conta do que eu estou fazendo com você. Estou
acabando com sua vida, Demetria...”
“Não é nada disso.”
Ele se ajoelhou no chão e me apertou com força. “A culpa é toda minha.
Você sabia desde o começo, mas agora está se negando a acreditar... Você sabia
que não deveria se envolver comigo, mas não deixei você fugir.”
“Não estou mais fugindo. Estou mais forte agora. Você me tornou uma
pessoa mais forte.”
“Meu Deus.” O desespero em seus olhos era visível. Ele sentou, esticou as
pernas e me puxou para mais perto. “Já temos traumas demais, e eu faço tudo
errado. Vamos acabar nos matando desse jeito. Destruindo um ao outro até não
sobrar mais nada.”
“Cala a boca. Não quero ouvir nem mais uma palavra desse papinho de
merda. Você foi ver o doutor Petersen?”
Ele apoiou a cabeça na parede e fechou os olhos. “Claro que fui.”
“Contou pra ele sobre ontem à noite?”
“Contei.” Joseph cerrou os dentes. “E ele disse a mesma coisa da semana
passada. Que estamos envolvidos demais. Acha que precisamos de um tempo, ir
mais devagar, dormir cada um na sua casa, passar mais tempo com outras pessoas
e menos tempo sozinhos.”
Seria o melhor a fazer. Melhor para nossa saúde mental, melhor para
nosso relacionamento. “Espero que ele tenha um plano B.”
Joseph abriu os olhos e me encarou. “Foi isso que eu respondi. De novo.”
“E daí que a gente é traumatizado? Todos os relacionamentos têm
problemas.”
Ele deu uma risada irônica.
“Estou falando sério”, insisti.
“Mas não vamos dormir mais juntos. Isso é certo.”
“Em quartos separados ou cada um na sua casa?”
“Em quartos separados. Mais que isso não aguento.”
“Tudo bem.” Suspirei e deitei a cabeça no ombro dele, feliz por estar de
novo em seus braços, por estarmos juntos novamente. “Isso eu aceito. Por
enquanto.”
Joseph engoliu em seco. “Quando cheguei em casa e encontrei você aqui...”
Ele me abraçou com força. “Nossa, Demetria. Pensei que fosse mentira de Cary que
você não estava em casa, pensei que não quisesse me ver. Depois achei que você
tinha saído... que estava querendo me esquecer.”
“Não é assim tão fácil esquecer você, Joseph.” Eu nunca o esqueceria. Ele
era parte de mim. Endireitei-me para poder olhar em seus olhos.
Joseph pôs a mão sobre meu coração, a mão que segurava a chave.
“Obrigado.”

2 comentários:

  1. Que lindooooooooo!!! Meu Deus estou quase chorando aqui! Joseph ja vai contar o segredo dele?? Estou curiosaaaaa!! Posta mais

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  2. Oi!Queria recomendar um blog com estórias.não sei se gosta de ler,mas eu leio um blog que acho que é muito bom,não tem é fanfics jemi mas acho que a escritora escreve muito bem.Se puder dar uma olhada e comentar o que acha ela agradece. Ela retribui o comentário no blog do próprio comentarista,já vi ela fazendo isso muitas vezes.
    É esse o blog: dianaisabelpinto.blogspot.pt/
    Obrigada desde já.
    Beijos.

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